A 46.ª Olimpíada parou ontem para o habitual dia de descanso. Cumpridas seis das onze rondas, o quadro em Samarcanda já tem contornos definidos, ainda que nada esteja decidido: faltam cinco jornadas e, a partir de agora, o sistema suíço junta os primeiros aos primeiros.
Secção aberta: o Uzbequistão sozinho e um pelotão de onze
A seleção anfitriã é a única com pleno de vitórias. Os 12 pontos de encontro em 12 possíveis foram selados na 6.ª ronda, com o 2,5-1,5 sobre a Índia, e valem-lhe também o melhor registo de tabuleiro da prova, 19,5. A China segue a um ponto, com 11, e a Arménia acompanha-a com os mesmos 11, embora com desempate bem mais modesto.
O que torna esta meia-distância interessante é o que vem atrás. Onze equipas partilham os 10 pontos: França, Países Baixos, Turquia, Índia, Grécia, Alemanha, Inglaterra, Bulgária, Azerbaijão, Uzbequistão 2 e Estados Unidos. Dois pontos de encontro, em cinco rondas, não são distância nenhuma. Numa prova em que o primeiro critério são os pontos de encontro e o desempate se constrói com os resultados dos tabuleiros, a diferença entre vencer por 4-0 e vencer por 2,5-1,5 pode valer uma medalha. O Uzbequistão sabe-o: lidera não só por pontos, mas por margem de desempate.
A 7.ª ronda, hoje, coloca o líder frente à China na mesa 1. Ao lado, Arménia-Estados Unidos, Inglaterra-Índia, Alemanha-Turquia e Países Baixos-Bulgária. É a primeira jornada em que praticamente todos os candidatos se defrontam entre si.
Secção feminina: duas equipas sem uma falha
No torneio feminino há dois plenos. A China chegou ao descanso com 12 pontos e o melhor desempate da prova, 20,5 de tabuleiro, depois de um 3,5-0,5 sobre a Polónia. O Cazaquistão acompanha-a com os mesmos 12, conquistados de forma mais apertada: o 2,5-1,5 ao Azerbaijão ficou decidido num final de torre e bispo, com Alua Nurman a bater Gunay Mammadzada. A jogadora cazaque, de 19 anos, leva 4 pontos em 5 partidas e uma performance de 2482, segundo a ChessBase.
Também aqui se formou um pelotão de onze equipas a 10 pontos, entre as quais a Índia, a Bulgária, a Alemanha, a Geórgia e a França. A indiana Savitha Shri é, até ao momento, a única com pontuação perfeita, 5 em 5, na sua estreia olímpica. Hoje, a China e o Cazaquistão medem forças na mesa 1, com Zhu Jiner e Bibisara Assaubayeva nos primeiros tabuleiros.
Portugal (absolutos)
A seleção absoluta fez a melhor primeira metade dos últimos anos. Soma 8 pontos de encontro e 16,5 de tabuleiro, o que a coloca no 52.º lugar. O percurso: 4-0 às Maldivas, 1,5-2,5 com Madagáscar, 2-2 com a Tailândia, 3-1 a Barbados, 2-2 com o Líbano e 4-0 à República Dominicana. Dois resultados máximos em seis encontros, e uma subida constante — 70.º depois da 4.ª ronda, 63.º depois da 5.ª, 52.º agora.
O motor tem estado nos tabuleiros de baixo. Bruno Martins leva 4,5 pontos em 5 partidas, o melhor registo da equipa; José Francisco Veiga soma 3,5 em 5; André Ventura Sousa e Luís Galego têm 3 pontos, o primeiro em cinco partidas, o segundo em quatro. Jorge Viterbo Ferreira, que enfrenta sempre a oposição mais forte no primeiro tabuleiro, está nos 2,5 em 5. É um equilíbrio saudável: a equipa não depende de um só jogador.
Portugal (femininos)
A seleção feminina tem 7 pontos de encontro e 12,5 de tabuleiro, no 70.º lugar. O percurso alterna vitórias claras com derrotas pesadas: 4-0 a Santa Lúcia, 0-4 com a Bulgária, 2-2 com Trindade e Tobago, 3,5-0,5 a Moçambique, 3-1 ao Uruguai e 0-4 com a Estónia. Os dois encontros perdidos foram precisamente os dois contra equipas de cabeça de série alta — a Estónia, 15.ª classificada à entrada para a 7.ª ronda, apresentou quatro jogadoras acima dos 2000 Elo e não cedeu meio ponto.
Individualmente, Filipa Pipiras e Raquel Duque lideram com 3 pontos em 5 partidas, Bianca Jeremias tem 2,5 em 4, e Mariana Silva e Camila Avelino somam 2 em 5. A performance de 2133 da Grande Mestre feminina no primeiro tabuleiro fica abaixo do seu Elo, mas é também no primeiro tabuleiro que as adversárias são sempre mais fortes.
E hoje?
A 7.ª ronda começa hoje às 11:00 de Lisboa. Nos absolutos, Portugal joga na mesa 29 com o Panamá. Os portugueses terão as pretas nos tabuleiros 1 e 3. Na secção feminina, Portugal está na mesa 33, frente aos Emirados Árabes Unidos, com as brancas nos tabuleiros 1 e 3.
São dois encontros entre equipas do mesmo patamar de pontos, como manda o sistema suíço, e é precisamente aí que se decide a classificação final de seleções como as nossas. Com cinco rondas por disputar, cada ponto de encontro pesa — e cada meio ponto de tabuleiro também.
Fontes: Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Chess.com, 6.ª ronda · ChessBase, 6.ª ronda feminina · Lichess, balanço das rondas 4 a 6 · FPX, «Segundo triunfo por 4-0 de Portugal em Samarcanda» · FPX, «Portuguesas sem argumentos para a Estónia»