Na secção aberta, a 6.ª ronda da Olimpíada de Samarcanda decidiu-se numa só partida. O Uzbequistão bateu a Índia, campeã olímpica em título, por 2,5-1,5. Chega ao dia de descanso isolado no comando, com 12 pontos em 12 possíveis. Houve três empates e uma vitória, a de Nodirbek Yakubboev sobre Nihal Sarin, no terceiro tabuleiro. É dessa partida que trata esta crónica.
| FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarkand. Crédito Michal Walusza/FIDE |
Nos outros tabuleiros o equilíbrio foi total. Nodirbek Abdusattorov empatou com Praggnanandhaa, Javokhir Sindarov com Arjun Erigaisi e Shamsiddin Vokhidov com Gukesh. O resultado do encontro ficou por isso nas mãos de Yakubboev e Nihal.
Segundo o relato da Chess.com, o jogador indiano entrou na fase decisiva com a melhor posição e com cerca de meia hora no relógio. Era tempo mais do que suficiente para calcular. No 37.º lance jogou 37...Cf5, com a intenção de defender um peão, de acordo com a análise publicada pela FIDE. A resposta foi imediata: 38.Ce6+, um xeque de cavalo que atacava ao mesmo tempo o rei e a dama. Nihal acabou por perder a dama.
| FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarkand. Crédito: Michal Walusza / FIDE |
Vários comentadores indicam 37...Rh6 como a continuação segura. A FIDE sugere que Nihal teria o lance decidido antes de rever a posição. Segundo o portal indiano The Bridge, Vidit Gujrathi, que comentava a ronda, mostrou-se surpreendido com um erro destes sem apuros de tempo. Yakubboev converteu a vantagem e soma agora 4,5 pontos em 5 partidas.
Esta partida tem uma lição simples para qualquer jogador de clube. O ataque duplo de cavalo com xeque é um dos primeiros temas táticos que se aprendem e continua a decidir partidas ao mais alto nível. Raramente acontece por desconhecimento. Quase sempre é porque o lance foi escolhido antes de se verificar o que o adversário pode fazer a seguir.
O que mudou na corrida às medalhas
A derrota tira à Índia a liderança partilhada e deixa-a no grupo de equipas com 10 pontos. Depois da ronda anterior, Índia, Uzbequistão e Alemanha eram as únicas equipas só com vitórias. Agora resta uma.
A Alemanha também perdeu o registo só de vitórias. A China venceu-a por 3-1. Ding Liren derrotou Vincent Keymer no primeiro tabuleiro e Xu Xiangyu bateu Alexander Donchenko no quarto, num final que a FIDE descreve como exemplar da força do par de bispos contra dois cavalos. A China e a Arménia, que venceu o Irão por 2,5-1,5, somam 11 pontos e são as perseguidoras diretas.
| FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarkand. Crédito: Michal Walusza / FIDE |
Na secção feminina, a China (3,5-0,5 à Polónia) e o Cazaquistão (2,5-1,5 ao Azerbaijão, com a vitória decisiva de Alua Nurman) seguem só com vitórias. A seleção feminina da Índia venceu os EUA por 3-1, com vitórias de Vantika Agrawal e Savitha Shri. Savitha Shri leva 5 pontos em 5 partidas.
Classificações
Após 6 rondas de intensa competição, o Uzbequistão lidera o torneio absoluto só com vitórias (12 pontos), seguido da China, Alemanha e Arménia, com 11 pontos.
No torneio feminino, a China (melhor desempate) e o Cazaquistão lideram, destacadas, com 12 pontos e o pleno de vitórias, seguidas da Índia, Bulgária e Alemanha, com 10 pontos.
| Crédito: FIDE |
Portugal (seleção masculina)
A seleção absoluta igualou o seu melhor resultado: vitória por 4-0 sobre a República Dominicana, na mesa 32. Portugal jogou com brancas nos tabuleiros 1 e 3. O GM Jorge Ferreira e os MI André Sousa, José Francisco Veiga e Bruno Martins obtiveram os triunfos parciais no encontro com os dominicanos. O GM Luís Galego descansou.
| GM Jorge Ferreira e os MI André Sousa, José Francisco Veiga e Bruno Martins. Crédito: FPX |
Com 8 pontos de encontro e 16,5 de tabuleiro, Portugal subiu ao 52.º lugar. A equipa confirmou o favoritismo sem ceder meio ponto. Bruno Martins continua a ser a grande figura da seleção, com 4,5 pontos em 5 partidas.
Portugal (femininos)
Foi um dia difícil para a seleção feminina, que jogou na mesa 19 e perdeu por 0-4 com a Estónia. Portugal teve brancas nos tabuleiros 2 e 4. Raquel Duque descansou.
A Estónia era mais forte em todos os tabuleiros, com diferenças entre cerca de 60 e 225 pontos de Elo, e confirmou o favoritismo. O resultado não apaga as três vitórias anteriores, mas a equipa cai para o 70.º lugar, com 7 pontos de encontro e 12,5 de tabuleiro.
Dia de descanso
A FIDE refere-se ao dia de descanso de forma curiosa (tradução livre): "Amanhã, os jogadores têm o dia livre para explorar o centro histórico numa visita organizada, praticar desporto ou descontrair com a equipa. Mas hoje à noite a prioridade é a festa: a célebre Bermuda Party é um clássico que já faz parte da história das Olimpíadas de Xadrez da FIDE. É o ponto de encontro de todos os participantes, desde os mais jovens e amadores aos grandes mestres mundiais, a oportunidade ideal para desanuviar, dançar e conviver fora da pressão dos tabuleiros."
Vem aí uma 7.ª ronda escaldante
Depois do dia de descanso, a 7.ª ronda joga-se na quarta-feira, 23 de setembro, às 15:00 de Samarcanda (11:00 em Lisboa). Na secção aberta, a mesa 1 já é um encontro de peso: Uzbequistão-China. Seguem-se Arménia-EUA e Inglaterra-Índia. Na feminina, as duas equipas só com vitórias defrontam-se na mesa 2, China-Cazaquistão. Na mesa 3 joga-se Alemanha-Índia.
A seleção masculina portuguesa defronta o Panamá, na mesa 29. A feminina joga com os Emirados Árabes Unidos, na mesa 33. Portugal é a 57.ª cabeça de série e os Emirados a 83.ª, pelo que as portuguesas partem como favoritas. Depois de um 0-4, é a oportunidade de voltar a somar pontos antes da reta final.
Fontes: Chess.com · FIDE · The Bridge · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Site oficial da Olimpíada