A penúltima jornada da 46.ª Olimpíada de Xadrez, em Samarcanda, deixou as duas seleções portuguesas à mesma distância de um resultado melhor: meio ponto. Aos absolutos, esse meio-ponto valia a vitória sobre o México. Às femininas, valia o empate com a Argentina. Nenhuma das duas o conseguiu, mas as razões são opostas, e é aí que está o interesse da jornada.
Portugal (masculinos): um empate com sabor a pouco
A seleção absoluta empatou 2-2 com o México, na mesa 29. Portugal era o favorito em todos os tabuleiros, com vantagens de Elo que iam dos 137 aos 224 pontos.
Portugal jogou com brancas no segundo e no quarto tabuleiros. Jorge Viterbo Ferreira e Bruno Martins venceram, nos dois tabuleiros extremos; André Ventura Sousa e José Francisco Veiga perderam, nos dois do meio. O marcador fechou pelo equilíbrio, mas o encontro não foi equilibrado: das quatro partidas, nenhuma terminou empatada.
| Crédito: FPX |
A Federação Portuguesa de Xadrez escreve que o triunfo esteve ao alcance e considera especialmente dolorosa a derrota de André Sousa, que teve o empate sempre à mão e cometeu um erro decisivo perto do fim. Foi esse o meio ponto que faltou.
A equipa soma 12 pontos de encontro e 24,5 de tabuleiro, no 55.º lugar entre 206 seleções.
Femininos: 1,5-2,5 com a Argentina, sendo mais fraca em três tabuleiros
A seleção feminina perdeu 1,5-2,5 com a Argentina, na mesa 21. Aqui a leitura dos números é a inversa: tirando o primeiro tabuleiro, onde Filipa Pipiras tinha uma ligeira vantagem de Elo, Portugal entrava em desvantagem de mais de 200 pontos em cada uma das outras três partidas.
Portugal jogou com brancas no primeiro e no terceiro tabuleiros, e Camila Avelino entrou no lugar de Raquel Duque. O resultado foram três empates e uma única derrota, num encontro em que a diferença de cotação apontava para bem pior.
| Crédito: FPX |
Os meios pontos de Camila Avelino e de Bianca Jeremias, cada uma com mais de 240 pontos de desvantagem, são o que de mais sólido a equipa produziu na jornada. A FPX escreve que as portuguesas estiveram à distância de um resultado histórico e cederam pela diferença mínima.
A equipa fica com 11 pontos de encontro e 22,5 de tabuleiro, no 64.º lugar entre 189 seleções.
A mesma distância, em sentidos contrários
Posta lado a lado, a jornada portuguesa tem uma simetria pouco comum. As duas equipas ficaram a meio ponto de um resultado diferente, mas uma chegou lá por cima e a outra por baixo: os absolutos deixaram fugir o que a folha de cotações lhes dava, a seleção feminina quase alcançou o que essa mesma folha lhes negava.
Do ponto de vista da classificação, é a segunda situação que se aproveita melhor. A seleção masculina somou um ponto de encontro num emparelhamento em que se esperavam dois, e desceu na tabela; as portuguesas não somaram nenhum, mas saíram do encontro com um sinal claro sobre a solidez dos tabuleiros de baixo, precisamente onde a equipa tem as jogadoras mais novas.
A última ronda
A 11.ª e última jornada joga-se hoje, e começou mais cedo do que as anteriores: às 11:00 de Samarcanda, 07:00 em Lisboa.
Os portugueses defrontam a Coreia do Sul na mesa 30. As duas equipas chegam com 12 pontos de encontro; a Coreia do Sul, 74.ª cabeça de série, tem as brancas no primeiro e no terceiro tabuleiros.
A seleção feminina joga com a Nova Zelândia na mesa 33, também com 11 pontos de cada lado. Portugal terá igualmente as brancas no segundo e no quarto tabuleiros.
São dois encontros ao alcance das duas seleções, e a última oportunidade de fechar a Olimpíada com o sinal positivo que a 10.ª ronda ficou a meio ponto de dar.
Fontes: FPX — Empate com o México soube a pouco · FPX — Derrota inglória das portuguesas com a Argentina · Chess-Results — secção aberta · Chess-Results — secção feminina