quinta-feira, setembro 24

Olimpíadas de Xadrez 2026, 7.ª ronda: os dois Nodirbeks e a vantagem que o Uzbequistão leva para a segunda metade

 Sete em sete

Havia uma ronda marcada no calendário de Samarcanda e era esta. O Uzbequistão, anfitrião e único líder, recebia a China na primeira mesa. Saiu de lá com um 3-1 e com o registo que nenhuma outra equipa da secção absoluta tem: sete encontros, sete vitórias, 14 pontos em 14 possíveis.

Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

O encontro decidiu-se nos dois tabuleiros de cima, e decidiu-se pelos dois jogadores que dão o título à crónica que a FIDE publicou nessa noite, "Two Nodirbeks, one golden mission". Nodirbek Abdusattorov bateu Ding Liren no primeiro tabuleiro e chegou aos 5,5 pontos em sete partidas. Nodirbek Yakubboev derrotou Yu Yangyi num final complicado. Os outros dois tabuleiros terminaram empatados. 

Dois pontos de encontro de avanço, a quatro rondas do fim, é muito. Cinco equipas ficaram nos 12 pontos — Países Baixos, Índia, Alemanha, Azerbaijão e Arménia —, e a China caiu para o 7.º lugar, com 11. O Uzbequistão tem ainda o melhor desempate da prova, e por larga margem: 190 contra os 163,5 dos Países Baixos.

Fonte: Chess.com

Convém, ainda assim, lembrar como funciona o sistema suíço. Uma vantagem construída a somar vitórias obriga a equipa que a detém a defrontar sempre os adversários mais bem classificados, ronda após ronda. O Uzbequistão não voltará a apanhar um emparelhamento fácil. O calendário endurece precisamente agora, e o primeiro teste chega esta quinta-feira: a Alemanha, na mesa 1. É a equipa que já surpreendeu os Estados Unidos na 5.ª ronda e que bateu a Turquia por 3-1 na véspera. Para o público local há um pormenor simpático: a segunda equipa uzbeque também joga entre as dez primeiras mesas, com a Inglaterra.

Fonte: Chess.com

Na secção feminina, o retrato é o oposto. O jogo do dia foi, sem dúvida, China contra o Cazaquistão, com ambas as equipas a chegarem com uma incrível série de seis vitórias consecutivas. Dois empates sólidos nos dois primeiros tabuleiros – embora Alua Nurman possa ter perdido uma oportunidade no final – deixaram o jogo por decidir nos tabuleiros três e quatro.

Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

O empate 2-2 entre a China e o Cazaquistão deixou a prova sem qualquer equipa com o pleno de vitórias e com as duas em 13 pontos, seguidas de perto por Índia, Bulgária, Geórgia, Arménia e Mongólia, todas com 12. Aqui não há líder destacado; há um pelotão.

Fonte: Chess.com

Portugal (masculinos)

Segunda vitória consecutiva e o melhor lugar da prova até aqui. Portugal venceu o Panamá por 3-1 na mesa 29, com o Panamá a jogar de brancas nos tabuleiros 1 e 3.

Luís Galego não alinhou. A equipa soma 10 pontos de encontro e 19,5 de tabuleiro, e está em 30.º lugar. O percurso na classificação diz tudo sobre o que mudou: 70.º depois da 4.ª ronda, 63.º depois da 5.ª, 52.º depois da 6.ª, 30.º agora.

O que a ronda mostrou foi a confirmação de duas coisas. Bruno Martins continua a ser o homem da prova: 5,5 pontos em seis partidas, e ainda sem derrotas. E Jorge Viterbo Ferreira, que vinha a pagar caro o preço de jogar sempre no primeiro tabuleiro, venceu com as pretas frente a um adversário quase duzentos pontos de Elo abaixo — o tipo de partida que, no primeiro tabuleiro, tem de ser ganha e nem sempre é.

Portugal (femininos)

A jornada correu ao contrário. Portugal perdeu com os Emirados Árabes Unidos por 1,5-2,5.


Camila Avelino não jogou. A equipa mantém os 7 pontos de encontro, tem 14 de tabuleiro e desceu ao 93.º lugar.

É uma derrota que surpreende, porque Portugal tinha vantagem de Elo nos quatro tabuleiros, com 254 pontos de diferença logo no primeiro. A leitura desagradável é que esta foi a terceira jornada sem pontos de encontro em quatro rondas. A agradável cabe toda no quarto tabuleiro: Bianca Jeremias voltou a vencer, leva 3,5 pontos em cinco partidas e é a única da equipa com saldo positivo de Elo.

Amanhã vai ser duro para a seleção masculina

Na 8.ª ronda, a seleção masculina sobe à mesa 14 e defronta a Roménia, com Portugal com brancas nos tabuleiros 1 e 3. As duas equipas chegam empatadas: 10 pontos de encontro e 19,5 de tabuleiro cada uma. No papel, porém, não há equilíbrio nenhum: a Roménia é a 23.ª cabeça de série, é orientada por Ivan Sokolov e está em 16.º lugar. É, de longe, o adversário mais forte que Portugal encontra desde o início da prova, e é exatamente o preço de ter subido tanto.

A seleção feminina joga na mesa 45 com Andorra. Andorra é a 99.ª cabeça de série e chega com os mesmos 7 pontos de encontro. É um emparelhamento equilibrado e uma boa ocasião para voltar aos pontos.

Fontes: FIDE — Olympiad Day 7: Two Nodirbeks, one golden mission · Chess.com — 2026 Chess Olympiad Round 7 · ChessBase India — Round 7 report · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Federação Portuguesa de Xadrez