As duas seleções portuguesas fecharam a Olimpíada de Samarcanda da mesma maneira: a ganhar pela margem mínima, ambas por 2,5-1,5. Os portugueses bateram a Coreia do Sul e terminaram em 43.º lugar; as portuguesas venceram a Nova Zelândia e fecharam em 58.º, a melhor classificação da equipa em catorze anos, segundo a Federação Portuguesa de Xadrez. E a última jornada ainda teve tempo para dar um título a Bianca Jeremias e para o negar a Raquel Duque pela diferença de meio ponto.
Portugal (absolutos): 2,5-1,5 com a Coreia do Sul
Na mesa 30, Portugal jogou com as peças brancas nos tabuleiros 2 e 4. Jorge Viterbo Ferreira folgou, o que subiu toda a equipa um lugar e trouxe Luís Galego ao quarto tabuleiro.
| Crédito: FPX |
A FPX resume o encontro pelas vitórias de José Francisco Veiga e de Luís Galego e pelo empate de Bruno Martins. Foi um triunfo trabalhado: a Coreia do Sul abriu a contagem no primeiro tabuleiro e Portugal teve de somar nos dois tabuleiros em que jogou de brancas.
A classificação final é de 43.º lugar, com 14 pontos de encontro e 27 de tabuleiro. A FPX faz notar que Portugal terminou com os mesmos 14 pontos do 27.º classificado — o desempate custou caro — e que este resultado iguala o de Manila 1992 como a quinta melhor classificação portuguesa na Era Open, atrás do 17.º lugar de Dubai 1986, do 32.º de Salónica 1984, do 39.º de La Valleta 1980 e do 41.º de Baku 2016.
Portugal (femininos): 2,5-1,5 com a Nova Zelândia
Na mesa 33, também aqui Portugal jogou de brancas nos tabuleiros 2 e 4. Mariana Silva folgou.
| Crédito: FPX |
Filipa Pipiras e Camila Avelino venceram com brancas e pretas, respetivamente, e o empate de Bianca Jeremias no quarto tabuleiro fechou o encontro. A seleção terminou em 58.º lugar, com 13 pontos de encontro e 25 de tabuleiro, num percurso de seis vitórias, um empate e quatro derrotas. A FPX escreve que a classificação final foi, em termos absolutos, a melhor dos últimos catorze anos.
Um título conquistado e outro adiado
O empate de Bianca Jeremias teve, nas palavras da FPX, sabor a vitória: valeu-lhe o título de mestre FIDE feminina, conquistado no quinto tabuleiro da seleção. Depois de folgar nas duas primeiras rondas, jogou nove jornadas e somou quatro vitórias, quatro empates e uma derrota — 6 pontos, com um ganho de 5,6 pontos de Elo e performance de 1950, acima do seu Elo de partida.
Do outro lado da mesma jornada está Raquel Duque. A campeã nacional precisava apenas de um empate na última ronda para alcançar o mesmo objetivo, e a derrota frustrou-lhe as expectativas, como assinala a FPX. Ficou com 5,5 pontos em nove partidas e performance de 1907. É uma daquelas contas que a Olimpíada costuma apresentar no fim: meio ponto entre um título e o adiamento dele.
O que os números dizem das duas equipas
Nos masculinos, o melhor jogador português foi Bruno Martins, e com larga margem. Somou 8 pontos em 10 partidas, com seis vitórias, quatro empates e nenhuma derrota — o único invicto da equipa —, uma performance de 2435 e um ganho de 8,6 pontos de Elo. Jorge Viterbo Ferreira fez 5,5 em 9, com performance de 2477. José Francisco Veiga somou 5,5 em 10 e Luís Galego 4 em 5. André Ventura Sousa, que jogou as onze rondas menos uma, foi quem mais sofreu: 4 pontos em 10 partidas e 27 pontos de Elo perdidos.
Na equipa feminina, o padrão é quase o inverso. Filipa Pipiras carregou o primeiro tabuleiro com 6,5 em 10, mas contra adversárias que quase sempre lhe eram inferiores no Elo, o que se traduziu em 14,4 pontos de Elo perdidos. Quem fechou a prova a ganhar Elo foram as duas jogadoras mais novas do plantel: Bianca Jeremias (+5,6) e Camila Avelino (+2,6, com 4,5 pontos em 8 partidas). É um dado que vale mais do que a classificação final: a base da seleção saiu de Samarcanda mais forte do que entrou.
O percurso das duas seleções
Cinco vitórias, quatro empates e duas derrotas nos masculinos; seis vitórias, um empate e quatro derrotas nas femininas. Duas equipas com feitios diferentes — uma que raramente perdeu e raramente ganhou por muito, outra que alternou golpes fortes com encontros em que não pontuou — e que acabaram por se encontrar no mesmo 2,5-1,5 da despedida.
Fontes: FPX — Portugal fecha Olimpíada Absoluta na 43.ª posição · FPX — Seleção feminina termina Olimpíada com vitória · FPX — Bianca Jeremias conquista título de mestre FIDE · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina