| Conferência de imprensa da equipa do Uzbequistão. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE |
O Uzbequistão venceu a 46.ª Olimpíada de Xadrez diante do seu público, em Samarcanda, com 20 pontos de encontro, dois acima da Índia e da Alemanha. Na jornada decisiva bastou-lhe um 2,5-1,5 frente à Ucrânia, e o ponto que fechou a prova não saiu de nenhuma das grandes vedetas do primeiro tabuleiro. Na secção feminina, a China cumpriu o favoritismo com a mesma margem: 20 pontos, dois à frente do Cazaquistão. É a segunda vez que o Uzbequistão vence uma Olimpíada, depois de Chennai, em 2022.
Três empates e uma vitória no quarto tabuleiro
A mesa 1 opôs o líder à Ucrânia, que chegava à última ronda com hipóteses reais de medalha. O encontro resolveu-se pela margem mínima e de um lado inesperado. Os três primeiros tabuleiros terminaram empatados e o ponto decisivo veio do quarto, com Mukhiddin Madaminov a derrotar Roman Dehtiarov.
A Chess.com elegeu essa partida como a do dia e descreveu-a como um confronto agudo, chamando a Madaminov o herói da última jornada.
| Mukhiddin Madaminov do Uzbequistão. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE |
É um detalhe que diz muito sobre a equipa uzbeque: num torneio em que Nodirbek Abdusattorov somou a melhor performance de todo o primeiro tabuleiro, o ouro acabou por ser garantido por um jogador que a FIDE identifica como reserva da seleção. A profundidade do plantel foi, ao longo de onze rondas, tão determinante como os nomes de topo.
A prata e o bronze decidiram-se fora do tabuleiro
Na mesa 2, a Índia empatou 2-2 com a Hungria e segurou a prata. O campeão do mundo Gukesh Dommaraju perdeu com o húngaro Gleb Dudin e a vitória de Arjun Erigaisi sobre Peter Leko repôs o equilíbrio do encontro, garantindo a medalha. A Alemanha, essa, fez o que tinha de fazer: bateu os Países Baixos por 2,5-1,5 na mesa 3 e terminou também com 18 pontos.
Com Índia e Alemanha empatadas, a prata e o bronze foram atribuídos pelo desempate — e a diferença foi clara: 405,5 contra 386,5. Mais atrás, quatro seleções fecharam com 17 pontos, o que dá a medida de como a luta pelos lugares seguintes se manteve aberta até ao fim.
Classificação final da secção aberta:
A Ucrânia, que entrou na última ronda a discutir o pódio, terminou em 11.º com 16 pontos.
A China não deu hipóteses
Na secção feminina, a China venceu o Vietname por 3-1 e fechou a prova sem sobressaltos. Zhu Jiner e Lu Miaoyi venceram as suas últimas partidas, o que lhes valeu, ao mesmo tempo, o ouro coletivo e o ouro individual dos respetivos tabuleiros.
| Zhu Jiner da China, Song Yuxin da China. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE |
O Cazaquistão assegurou a prata com um empate 2-2 frente à Polónia, e a Índia ficou com o bronze depois de outro 2-2, com a Geórgia. Foi um desempate apertado: cinco seleções terminaram com 17 pontos, e a Índia levou a melhor sobre os Estados Unidos, a Polónia, a Arménia e a Mongólia.
As medalhas individuais
Os prémios de tabuleiro atribuem-se pela performance de torneio, com um mínimo de oito partidas jogadas. Na secção aberta, o ouro do primeiro tabuleiro foi para Abdusattorov, com 2869 de performance em onze partidas, à frente do turco Yagiz Kaan Erdogmus (2839) e do indiano Praggnanandhaa (2772). No terceiro tabuleiro venceu o alemão Frederik Svane (2796), contributo decisivo para o bronze da sua equipa. No quarto, o ouro foi do ucraniano Ihor Samunenkov (2720), com Gukesh em segundo (2718) por dois pontos de performance. No tabuleiro de reserva venceu Gleb Dudin (2738) — o mesmo que, horas antes, tinha batido o campeão do mundo.
O caso mais curioso é o do segundo tabuleiro. Wei Yi, da China, e Jorden van Foreest, dos Países Baixos, terminaram exatamente com a mesma performance: 2798. O regulamento desempata pelo maior número de partidas jogadas, e foi por aí que o ouro coube a Wei Yi, com dez partidas contra nove do neerlandês.
Na secção feminina, Zhu Jiner venceu o primeiro tabuleiro (2638), Alice Lee, dos Estados Unidos, o segundo (2572), Lu Miaoyi o terceiro (2576), a cazaque Elnaz Kaliakhmet o quarto (2486) e a indiana Savitha Shri B. o de reserva (2569).
O que fica de Samarcanda
Fica a confirmação de que a geração uzbeque não foi um acaso de 2022, e fica a imagem de um país anfitrião que venceu sem depender de um único nome. Fica também uma Olimpíada decidida ao detalhe: duas medalhas atribuídas por desempate na secção aberta, cinco equipas empatadas a discutir o bronze feminino, e um ouro individual separado por uma partida de diferença.
Fontes: FIDE · Chess.com · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina