O II Open Clássicas Clube Peões da Caparica contava para o Elo FIDE, e cada partida jogada no tabuleiro mexeu na lista de cada um. Dos sete jogadores do CPC em prova, só Luís Filipe sai do torneio a ganhar Elo, com mais 6,8 pontos. A maior descida é a de Mauro Monteiro, menos 44,4, e quase toda veio de uma única partida. Revemos o torneio de cada jogador pelo Elo: com que valor entrou, a que nível jogou (a performance) e que resultados lhe deram ou tiraram pontos.
O quadro geral
Como se fazem as contas
A FIDE compara, em cada partida, o resultado obtido com o resultado esperado em função da diferença de Elo entre os dois jogadores. Quando a diferença passa de 400 pontos, conta como 400. A diferença entre o resultado e o esperado é depois multiplicada pelo coeficiente K. Para cinco dos sete jogadores, K é 20. Para Pedro Santos e Mauro Monteiro, K é 40, o que duplica o efeito de cada resultado, para cima e para baixo. Byes, faltas de comparência e rondas sem emparceiramento não contam.
A performance é o Elo que corresponde ao resultado obtido, tendo em conta a força dos adversários.
A performance e a variação de Elo foram tiradas do Chess-Results. O valor de cada partida resulta das contas com a tabela da FIDE, e a soma por jogador coincide com o total do Chess-Results. O Elo estimado é o Elo inicial somado à variação, arredondado. Só se torna oficial quando a FIDE publicar a lista que inclui o torneio, e pode ser diferente se o jogador tiver feito outras provas homologadas no mesmo período.
Para o jogador mais cotado do Clube, as vitórias valem pouco e os empates custam bastante. Contra Américo Costa e Luís Filipe, as duas vitórias renderam apenas 6,4 pontos, e os empates com Leon Li e Vítor Morais tiraram 8,8. A derrota com Miguel Rocha, que tinha mais 75 pontos, custou 8. A partida que mais pesou foi a da sexta ronda: Pedro Apolónia tinha menos 130 pontos e jogava de pretas, e a derrota tirou 13,6 pontos, mais de metade da descida total. A performance de 1866 ficou 161 pontos abaixo do Elo, a maior diferença entre os sete. Ainda assim, Arthur Vlug continua acima dos 2000.
Luís Filipe foi o único dos sete a jogar acima do seu nível, com uma performance de 1789, 39 pontos acima do Elo. As duas derrotas foram com adversários bem mais cotados, Mário Figueiredo e Arthur Vlug, e custaram pouco: 9,8 pontos no total. Ao fim de cinco rondas, ainda estava em terreno negativo (−3,2). As vitórias sobre Martim Pinheiro e Pedro Santos, nas duas últimas rondas, viraram as contas: valeram 10 pontos e deixaram-lhe um saldo final positivo de 6,8.
O torneio de Américo Costa divide-se em duas partes. Nas quatro primeiras partidas perdeu sempre e deixou 38,6 pontos de Elo. A mais cara foi com Pedro Correia, que tinha menos 184 pontos: custou 14,8. Nas duas últimas rondas venceu Jorge Gomes e Fernando Amaral e recuperou 16,8 pontos, quase metade do que tinha perdido. A performance de 1598 ficou 130 pontos abaixo do Elo.
Pedro Santos assinou o melhor resultado de todos os Peões em termos de Elo. A vitória sobre André Pereira, que tinha mais 51 pontos e acabou o torneio em nono, valeu 22,8 pontos. Ao fim de cinco rondas, Pedro Santos estava a ganhar 6,8 pontos. As duas últimas partidas mudaram o saldo: o empate com Miguel Domingues, 211 pontos abaixo, custou 10,8, e a derrota com Luís Filipe custou 13,2. Com K=40, cada resultado pesa a dobrar. A performance de 1576 ficou 52 pontos abaixo do Elo, a menor diferença entre os seis que desceram.Mauro Monteiro foi o único jogador do clube com sete partidas a contar para o Elo. Até à última ronda, a conta estava controlada: a vitória sobre Américo Costa valeu 19,2 pontos. Após seis rondas a perda era de 9,6. A derrota final com Miguel Domingues, 327 pontos abaixo e com K=40, custou 34,8 pontos, quase quatro quintos da descida total. A performance de 1632 ficou 112 pontos abaixo do Elo.
Jorge Gomes teve os adversários mais fortes em relação ao seu Elo: em média, 116 pontos acima. Por isso, as derrotas custaram-lhe relativamente pouco. Os dois empates com jogadores mais cotados renderam: o de Mário Figueiredo, na primeira ronda, contra um adversário com mais 250 pontos, valeu 6,2, e o de Mauro Monteiro valeu 3. As derrotas com Riccardo Ciuffreda e Américo Costa explicam a maior parte da descida. Terminou com −11,8, a menor perda de Elo entre os seis que perderam Elo.
Fernando Amaral teve o terceiro calendário mais exigente em relação ao seu Elo, com adversários em média 63 pontos acima. As derrotas com os dois mais cotados, Gustavo Francisco e Mário Figueiredo, custaram menos de 10 pontos no conjunto. Foi nos jogos com colegas de clube que a conta pesou: as partidas com Luís Filipe e Américo Costa deram 14,2 dos 20,4 pontos perdidos. O único ponto inteiro foi a vitória sobre Pedro Correia, que valeu 5,8. A performance de 1568 ficou 130 pontos abaixo do Elo.
Resumo final
- Quem subiu: só Luís Filipe, com +6,8 e uma performance 39 pontos acima do Elo, graças a três vitórias e apenas duas derrotas, ambas com jogadores mais cotados.
- A maior descida: Mauro Monteiro, com −44,4, dos quais 34,8 vieram de uma única partida, a da última ronda com Miguel Domingues.
- O melhor resultado em Elo: Pedro Santos frente a André Pereira (+22,8), seguido de Mauro Monteiro frente a Américo Costa (+19,2).
- As partidas mais caras: Mauro Monteiro–Miguel Domingues (−34,8), Américo Costa–Pedro Correia (−14,8) e Arthur Vlug–Pedro Apolónia (−13,6). Nos três casos, a derrota foi com um adversário de Elo mais baixo.
- Performance face ao Elo: a mais próxima, entre os que desceram, foi a de Pedro Santos (−52). A mais distante foi a de Arthur Vlug (−161).
Fontes: Chess-Results: classificação final · Chess-Results: tabela cruzada final · Fichas individuais no Chess-Results (Elo, performance e variação de Elo): Arthur Vlug, Luís Filipe, Américo Costa, Pedro Santos, Mauro Monteiro, Jorge Gomes, Fernando Amaral
NOTA: cálculos elaborados com o apoio da IA







