segunda-feira, setembro 28

II Open Clássicas CPC (6 a 27 de outubro) — taxa reduzida termina a 29 de setembro

 O Clube Peões da Caparica organiza o II Open Clássicas CPC (II OCCPC), torneio FIDE de sete rondas a 90 minutos por jogador com incremento de 30 segundos por lance, entre 6 e 27 de outubro de 2026. Venho convidar os jogadores do vosso clube a participar e pedir a divulgação junto dos vossos associados.

PRAZO A TERMINAR

A taxa de inscrição reduzida aplica-se aos pedidos recebidos até 29 de setembro. Restam dois dias, hoje e amanhã.

Até 29 de setembro: 10 € (geral), 5 € (jogadores jovens), gratuito para jogadores titulados, exceto Mestres Candidatos. De 30 de setembro a 5 de outubro: 15 € (geral) e 10 € nos restantes casos.

A prova tem um limite de 60 participantes.

COMO INSCREVER

Basta enviar um e-mail para xpeoes.caparica@gmail.com com "II OCCPC" no assunto, indicando, para cada jogador, o nome completo, a data de nascimento e o clube. Respondemos com o valor a pagar e os dados para transferência. A inscrição fica validada após a confirmação do pagamento.

CALENDÁRIO

As rondas jogam-se às terças e quintas-feiras, sempre às 20h00: 6, 8, 13, 15, 20, 22 e 27 de outubro. No dia 6 há confirmação de inscrições e sessão de abertura às 19h30. Cada jogador pode pedir até dois byes de meio ponto nas primeiras quatro rondas.

LOCAL E ACESSO

Edifício VII da NOVA FCT, Campus da Caparica, Quinta da Torre, 2829-516 Caparica. O campus tem muito estacionamento disponível e, à hora das rondas, com pouco movimento. A portaria terá indicação para deixar entrar os participantes; basta identificarem-se como participantes do torneio de xadrez.

PRÉMIOS

Prémios monetários de 100 €, 60 €, 40 €, 20 € e 10 € para os cinco primeiros classificados, troféus para os três primeiros e diplomas para os melhores classificados dos escalões sub-8 a sub-20 e das categorias feminino, veterano (+50), veterano (+65) e jogador do CPC.

MAIS INFORMAÇÃO

Regulamento em SECÇÃO DE XADREZ: Regulamento do II Open Clássicas Clube Peões da Caparica

Página da prova no Chess-Results: https://s1.chess-results.com/tnr1502516.aspx?lan=10 

Contamos convosco em outubro.

Bianca Jeremias é mestre FIDE feminina: um título decidido no último empate

Bianca Jeremias. Crédito: FPX

Bianca Jeremias saiu de Samarcanda com o título de mestre FIDE feminina, conquistado na 11.ª e última ronda da Olimpíada. Foi o seu nono jogo na prova — exatamente o mínimo exigido pelo regulamento — e o meio ponto que somou nesse dia foi o que a colocou do lado certo da percentagem. 

A regra dos 65 por cento

O regulamento de títulos da FIDE, na tabela de títulos diretos em vigor desde janeiro de 2026, prevê que a secção feminina da Olimpíada atribua o título de mestre FIDE feminina a quem consiga 65 por cento dos pontos num mínimo de nove partidas. Para o título de candidata a mestre a exigência baixa para 50 por cento em sete partidas.

É uma regra simples de enunciar e traiçoeira de cumprir, porque impõe duas condições ao mesmo tempo: a percentagem e o número de partidas. Quem folga rondas arrisca-se a chegar ao fim com uma boa percentagem e jogos a menos; quem joga tudo dilui os bons resultados nos maus.

Bianca Jeremias folgou nas duas primeiras jornadas e jogou as nove seguintes. Terminou com 6 pontos em 9 partidas — 66,7 por cento, um ponto e sete décimas acima da linha.

O percurso, ronda a ronda

A estreia olímpica correu-lhe mal: perdeu a primeira partida, na 3.ª ronda. A partir daí não voltou a perder. Foram oito partidas seguidas sem derrota, com quatro vitórias e quatro empates, e uma sequência final de quatro empates consecutivos em que o mais valioso foi o da 10.ª ronda, contra Ernestina Adam, da Argentina, 245 pontos de Elo acima dela.

O balanço fecha em 1950 de performance, para um Elo de partida de 1941, e num ganho de 5,6 pontos. Bianca Jeremias foi uma das três jogadoras portuguesas, entre as duas seleções, a sair da Olimpíada com Elo ganho.

A última ronda valia tudo

À entrada da 11.ª ronda, Bianca tinha 5,5 pontos em 8 partidas. A conta que tinha pela frente era esta: com oito jogos não chegava ao mínimo regulamentar, por muito boa que fosse a percentagem; com nove jogos e uma derrota ficaria em 5,5 pontos, ou seja, 61,1 por cento, abaixo da linha; com nove jogos e pelo menos um empate chegaria aos 6 pontos e aos 66,7 por cento.

Ou seja, tinha de jogar e não podia perder. Jogou no quarto tabuleiro do encontro com a Nova Zelândia, com as peças brancas, e empatou com Emily Gan. O mesmo meio ponto selou o título e fechou a vitória portuguesa por 2,5-1,5. A Federação Portuguesa de Xadrez chamou-lhe, com razão, um empate com sabor a vitória.

A mesma conta, do outro lado

Há um detalhe que dá à história um remate quase cruel. Raquel Duque, campeã nacional, entrou na última ronda exatamente na mesma situação: 5,5 pontos em 8 partidas, à distância de um empate do mesmo título. Jogou no terceiro tabuleiro, com pretas, e perdeu. Terminou com 5,5 em 9, que dão 61,1 por cento — a percentagem que Bianca teria tido se tivesse perdido a sua.

Duas jogadoras portuguesas, a mesma pontuação, a mesma exigência, a mesma jornada, resultados opostos. A Federação escreve que a derrota frustrou as expectativas da campeã nacional, e é difícil dizê-lo de outra maneira.

O que isto vale

Um título de mestre FIDE feminina não é uma norma, é um título conquistado de uma só vez, sem necessidade de repetir o feito noutro torneio. E chegou numa Olimpíada em que a seleção feminina fez a sua melhor prova em catorze anos, segundo a Federação, terminando em 58.º lugar com 13 pontos de encontro.

Para uma jogadora que entrou na prova a folgar duas rondas e a perder a primeira partida que jogou, é uma forma notável de acabar.

Fontes: FPX — Bianca Jeremias conquista título de mestre FIDE · FPX — Seleção feminina termina Olimpíada com vitória · FIDE — Tabela de títulos diretos em vigor desde 1 de janeiro de 2026 · Chess-Results — secção feminina, Samarcanda 2026



Olimpíadas de Xadrez 2026: o que Samarcanda vale na história do xadrez português

 Passada a azáfama das onze rondas, fica o exercício que só se pode fazer no fim: pôr os números de Samarcanda ao lado dos das melhores participações portuguesas de sempre. E o que se vê é uma edição que corrigiu, nas duas seleções, o desaire de Budapeste, há dois anos, e que devolveu a equipa absoluta ao patamar dos seus melhores resultados na Era Open. Do lado feminino, o salto foi ainda maior, embora partisse de mais baixo.

Os números de Samarcanda

A seleção absoluta terminou em 43.º lugar, com 14 pontos de encontro e 27 de tabuleiro, num percurso de cinco vitórias, quatro empates e duas derrotas. A seleção feminina fechou em 58.º, com 13 pontos de encontro e 25 de tabuleiro, resultado de seis vitórias, um empate e quatro derrotas. As duas equipas despediram-se a ganhar pelo mesmo 2,5-1,5, frente à Coreia do Sul e à Nova Zelândia.

São números que ganham sentido quando comparados. Sozinhos, dizem pouco.

A seleção absoluta: o quinto melhor resultado de sempre

Segundo a Federação Portuguesa de Xadrez, o 43.º lugar de Samarcanda iguala a quinta melhor classificação portuguesa na Era Open das Olimpíadas. À frente ficam apenas quatro edições: o 17.º lugar de Dubai, em 1986 — que continua a ser o registo de referência do xadrez português —, o 32.º de Salónica em 1984, o 39.º de La Valleta em 1980 e o 41.º de Baku em 2016. No mesmo 43.º lugar estão Manila 1992 e Chennai 2022.


O paralelo com Chennai merece atenção, porque o mesmo lugar esconde dois torneios de feitio diferente. Em 2022 Portugal fez 13 pontos de encontro e 29,5 de tabuleiro; em 2026 fez 14 de encontro e 27 de tabuleiro. Traduzindo: em Samarcanda a equipa ganhou mais encontros, mas ganhou-os por margens estreitas. Em Chennai perdeu mais vezes o encontro e, ainda assim, arrecadou mais pontos individuais — foi o maior total de tabuleiro que a Federação regista numa participação portuguesa.

É uma diferença de temperamento que se lê bem no percurso de Samarcanda. Quatro dos onze encontros acabaram empatados, e três das cinco vitórias foram por 2,5-1,5 ou 3-1. Houve dois 4-0, com as Maldivas e a República Dominicana, mas a equipa passou a prova quase sempre em encontros decididos ao detalhe.

A recuperação face a Budapeste

O contraste mais eloquente não é com 2022 mas com 2024. Em Budapeste, a seleção absoluta terminou em 82.º lugar, com 11 pontos de encontro e 25,5 de tabuleiro. Samarcanda representa, portanto, uma subida de trinta e nove lugares, três pontos de encontro e um ponto e meio de tabuleiro.


A seleção feminina: a melhor em catorze anos

Do lado feminino, a Federação escreve que a classificação final foi, em termos absolutos, a melhor dos últimos catorze anos. O que se pode acrescentar com números confirmados é que 2026 superou as duas edições anteriores em todos os critérios: 58.º lugar contra 63.º em Chennai e 88.º em Budapeste; 13 pontos de encontro contra 12 e 11; 25 pontos de tabuleiro contra 22 e 21,5.

Trinta lugares de diferença para a edição anterior é uma variação que raramente se explica por um só motivo, mas há um dado que ajuda: seis vitórias em onze encontros, mais do que a seleção absoluta conseguiu. A equipa feminina foi menos regular — quatro derrotas, duas delas por 0-4, com a Bulgária e com a Estónia — mas pontuou com mais frequência quando teve oportunidade.

E trouxe de Samarcanda uma coisa que não se lê na tabela: Bianca Jeremias conquistou o título de mestre FIDE feminina, com 6 pontos em 9 partidas no tabuleiro de reserva, e Raquel Duque ficou a meio ponto do mesmo objetivo. Camila Avelino e Bianca Jeremias foram, aliás, as duas únicas jogadoras portuguesas das duas seleções, além de Bruno Martins, a sair da prova com Elo ganho.

Uma ressalva de leitura

Comparar lugares entre edições exige cautela, porque o campo tem crescido. Budapeste 2024 recebeu 197 equipas na secção aberta e 183 na feminina; Samarcanda contou com mais de duzentas na aberta e cerca de cento e noventa na feminina. Um 43.º lugar em 2026 é, em rigor, disputado entre mais concorrentes do que um 43.º lugar em 1992 — o que valoriza o resultado, mas também torna qualquer tabela histórica uma aproximação, e não uma medida exata.

O que fica

Fica uma seleção absoluta de volta ao lote das suas melhores participações, com o melhor total de pontos de encontro das últimas edições recentes e um invicto — Bruno Martins, 8 pontos em 10 partidas, seis vitórias e quatro empates. Fica uma seleção feminina que fez a sua melhor prova em mais de uma década e que saiu de Samarcanda com uma jogadora titulada e outra à porta do título. E fica a sensação, difícil de traduzir em números, de que as duas equipas jogaram esta Olimpíada acima do que o seu lugar no ranking inicial fazia prever.

Fontes: FPX — Portugal fecha Olimpíada Absoluta na 43.ª posição · FPX — Seleção feminina termina Olimpíada com vitória · FPX — Portugal termina Olimpíada absoluta em 43.º (Chennai 2022) · FPX — Olimpíada feminina: Portugal acaba em 63.º (Chennai 2022) · Chess-Results, Samarcanda 2026 · Chess-Results, Budapeste 2024

Olimpíadas de Xadrez 2026, 11.ª ronda: duas vitórias de Portugal na despedida, um título conquistado e outro perdido por meio ponto

 As duas seleções portuguesas fecharam a Olimpíada de Samarcanda da mesma maneira: a ganhar pela margem mínima, ambas por 2,5-1,5. Os portugueses bateram a Coreia do Sul e terminaram em 43.º lugar; as portuguesas venceram a Nova Zelândia e fecharam em 58.º, a melhor classificação da equipa em catorze anos, segundo a Federação Portuguesa de Xadrez. E a última jornada ainda teve tempo para dar um título a Bianca Jeremias e para o negar a Raquel Duque pela diferença de meio ponto.

Portugal (absolutos): 2,5-1,5 com a Coreia do Sul

Na mesa 30, Portugal jogou com as peças brancas nos tabuleiros 2 e 4. Jorge Viterbo Ferreira folgou, o que subiu toda a equipa um lugar e trouxe Luís Galego ao quarto tabuleiro.

Crédito: FPX

A FPX resume o encontro pelas vitórias de José Francisco Veiga e de Luís Galego e pelo empate de Bruno Martins. Foi um triunfo trabalhado: a Coreia do Sul abriu a contagem no primeiro tabuleiro e Portugal teve de somar nos dois tabuleiros em que jogou de brancas.

A classificação final é de 43.º lugar, com 14 pontos de encontro e 27 de tabuleiro. A FPX faz notar que Portugal terminou com os mesmos 14 pontos do 27.º classificado — o desempate custou caro — e que este resultado iguala o de Manila 1992 como a quinta melhor classificação portuguesa na Era Open, atrás do 17.º lugar de Dubai 1986, do 32.º de Salónica 1984, do 39.º de La Valleta 1980 e do 41.º de Baku 2016.

Portugal (femininos): 2,5-1,5 com a Nova Zelândia

Na mesa 33, também aqui Portugal jogou de brancas nos tabuleiros 2 e 4. Mariana Silva folgou.

Crédito: FPX

Filipa Pipiras e Camila Avelino venceram com brancas e pretas, respetivamente, e o empate de Bianca Jeremias no quarto tabuleiro fechou o encontro. A seleção terminou em 58.º lugar, com 13 pontos de encontro e 25 de tabuleiro, num percurso de seis vitórias, um empate e quatro derrotas. A FPX escreve que a classificação final foi, em termos absolutos, a melhor dos últimos catorze anos.

Um título conquistado e outro adiado

O empate de Bianca Jeremias teve, nas palavras da FPX, sabor a vitória: valeu-lhe o título de mestre FIDE feminina, conquistado no quinto tabuleiro da seleção. Depois de folgar nas duas primeiras rondas, jogou nove jornadas e somou quatro vitórias, quatro empates e uma derrota — 6 pontos, com um ganho de 5,6 pontos de Elo e performance de 1950, acima do seu Elo de partida.

Do outro lado da mesma jornada está Raquel Duque. A campeã nacional precisava apenas de um empate na última ronda para alcançar o mesmo objetivo, e a derrota frustrou-lhe as expectativas, como assinala a FPX. Ficou com 5,5 pontos em nove partidas e performance de 1907. É uma daquelas contas que a Olimpíada costuma apresentar no fim: meio ponto entre um título e o adiamento dele.

O que os números dizem das duas equipas

Nos masculinos, o melhor jogador português foi Bruno Martins, e com larga margem. Somou 8 pontos em 10 partidas, com seis vitórias, quatro empates e nenhuma derrota — o único invicto da equipa —, uma performance de 2435 e um ganho de 8,6 pontos de Elo. Jorge Viterbo Ferreira fez 5,5 em 9, com performance de 2477. José Francisco Veiga somou 5,5 em 10 e Luís Galego 4 em 5. André Ventura Sousa, que jogou as onze rondas menos uma, foi quem mais sofreu: 4 pontos em 10 partidas e 27 pontos de Elo perdidos.

Na equipa feminina, o padrão é quase o inverso. Filipa Pipiras carregou o primeiro tabuleiro com 6,5 em 10, mas contra adversárias que quase sempre lhe eram inferiores no Elo, o que se traduziu em 14,4 pontos de Elo perdidos. Quem fechou a prova a ganhar Elo foram as duas jogadoras mais novas do plantel: Bianca Jeremias (+5,6) e Camila Avelino (+2,6, com 4,5 pontos em 8 partidas). É um dado que vale mais do que a classificação final: a base da seleção saiu de Samarcanda mais forte do que entrou.

O percurso das duas seleções


Cinco vitórias, quatro empates e duas derrotas nos masculinos; seis vitórias, um empate e quatro derrotas nas femininas. Duas equipas com feitios diferentes — uma que raramente perdeu e raramente ganhou por muito, outra que alternou golpes fortes com encontros em que não pontuou — e que acabaram por se encontrar no mesmo 2,5-1,5 da despedida.

Fontes: FPX — Portugal fecha Olimpíada Absoluta na 43.ª posição · FPX — Seleção feminina termina Olimpíada com vitória · FPX — Bianca Jeremias conquista título de mestre FIDE · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina

Olimpíadas de Xadrez 2026, 11.ª ronda: o Uzbequistão é campeão em casa, e o ouro chegou pelo quarto tabuleiro

Conferência de imprensa da equipa do Uzbequistão. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

O Uzbequistão venceu a 46.ª Olimpíada de Xadrez diante do seu público, em Samarcanda, com 20 pontos de encontro, dois acima da Índia e da Alemanha. Na jornada decisiva bastou-lhe um 2,5-1,5 frente à Ucrânia, e o ponto que fechou a prova não saiu de nenhuma das grandes vedetas do primeiro tabuleiro. Na secção feminina, a China cumpriu o favoritismo com a mesma margem: 20 pontos, dois à frente do Cazaquistão. É a segunda vez que o Uzbequistão vence uma Olimpíada, depois de Chennai, em 2022.

Três empates e uma vitória no quarto tabuleiro

A mesa 1 opôs o líder à Ucrânia, que chegava à última ronda com hipóteses reais de medalha. O encontro resolveu-se pela margem mínima e de um lado inesperado. Os três primeiros tabuleiros terminaram empatados e o ponto decisivo veio do quarto, com Mukhiddin Madaminov a derrotar Roman Dehtiarov.

A Chess.com elegeu essa partida como a do dia e descreveu-a como um confronto agudo, chamando a Madaminov o herói da última jornada. 

Mukhiddin Madaminov do Uzbequistão. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

É um detalhe que diz muito sobre a equipa uzbeque: num torneio em que Nodirbek Abdusattorov somou a melhor performance de todo o primeiro tabuleiro, o ouro acabou por ser garantido por um jogador que a FIDE identifica como reserva da seleção. A profundidade do plantel foi, ao longo de onze rondas, tão determinante como os nomes de topo.

A prata e o bronze decidiram-se fora do tabuleiro

Na mesa 2, a Índia empatou 2-2 com a Hungria e segurou a prata. O campeão do mundo Gukesh Dommaraju perdeu com o húngaro Gleb Dudin e a vitória de Arjun Erigaisi sobre Peter Leko repôs o equilíbrio do encontro, garantindo a medalha. A Alemanha, essa, fez o que tinha de fazer: bateu os Países Baixos por 2,5-1,5 na mesa 3 e terminou também com 18 pontos.

Com Índia e Alemanha empatadas, a prata e o bronze foram atribuídos pelo desempate — e a diferença foi clara: 405,5 contra 386,5. Mais atrás, quatro seleções fecharam com 17 pontos, o que dá a medida de como a luta pelos lugares seguintes se manteve aberta até ao fim.

Classificação final da secção aberta:

A Ucrânia, que entrou na última ronda a discutir o pódio, terminou em 11.º com 16 pontos.

A China não deu hipóteses

Na secção feminina, a China venceu o Vietname por 3-1 e fechou a prova sem sobressaltos. Zhu Jiner e Lu Miaoyi venceram as suas últimas partidas, o que lhes valeu, ao mesmo tempo, o ouro coletivo e o ouro individual dos respetivos tabuleiros.

Zhu Jiner da China, Song Yuxin da China. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

O Cazaquistão assegurou a prata com um empate 2-2 frente à Polónia, e a Índia ficou com o bronze depois de outro 2-2, com a Geórgia. Foi um desempate apertado: cinco seleções terminaram com 17 pontos, e a Índia levou a melhor sobre os Estados Unidos, a Polónia, a Arménia e a Mongólia.

As medalhas individuais

Os prémios de tabuleiro atribuem-se pela performance de torneio, com um mínimo de oito partidas jogadas. Na secção aberta, o ouro do primeiro tabuleiro foi para Abdusattorov, com 2869 de performance em onze partidas, à frente do turco Yagiz Kaan Erdogmus (2839) e do indiano Praggnanandhaa (2772). No terceiro tabuleiro venceu o alemão Frederik Svane (2796), contributo decisivo para o bronze da sua equipa. No quarto, o ouro foi do ucraniano Ihor Samunenkov (2720), com Gukesh em segundo (2718) por dois pontos de performance. No tabuleiro de reserva venceu Gleb Dudin (2738) — o mesmo que, horas antes, tinha batido o campeão do mundo.

O caso mais curioso é o do segundo tabuleiro. Wei Yi, da China, e Jorden van Foreest, dos Países Baixos, terminaram exatamente com a mesma performance: 2798. O regulamento desempata pelo maior número de partidas jogadas, e foi por aí que o ouro coube a Wei Yi, com dez partidas contra nove do neerlandês.

Na secção feminina, Zhu Jiner venceu o primeiro tabuleiro (2638), Alice Lee, dos Estados Unidos, o segundo (2572), Lu Miaoyi o terceiro (2576), a cazaque Elnaz Kaliakhmet o quarto (2486) e a indiana Savitha Shri B. o de reserva (2569).

O que fica de Samarcanda

Fica a confirmação de que a geração uzbeque não foi um acaso de 2022, e fica a imagem de um país anfitrião que venceu sem depender de um único nome. Fica também uma Olimpíada decidida ao detalhe: duas medalhas atribuídas por desempate na secção aberta, cinco equipas empatadas a discutir o bronze feminino, e um ouro individual separado por uma partida de diferença.

Fontes: FIDE · Chess.com · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina

domingo, setembro 27

Última hora: o Uzbequistão sagra-se campeão olímpico em casa, a China vence nos femininos

 A 46.ª Olimpíada de Xadrez terminou esta tarde em Samarcanda com o triunfo do país anfitrião na secção aberta e da China na secção feminina. As duas equipas venceram com dois pontos de vantagem, e nenhuma chegou a precisar de desempate no primeiro lugar.

O Uzbequistão confirma na mesa 1

O Uzbequistão entrava na última jornada com um ponto de avanço sobre a Índia e resolveu a questão diante da Ucrânia, por 2,5-1,5. Foi um encontro de gestão: três empates nos primeiros tabuleiros — Abdusattorov com Kovalenko, Sindarov com Ivanchuk e Yakubboev com Samunenkov — e a vitória de Mukhiddin Madaminov no quarto tabuleiro, que decidiu tudo.

Equipa do Uzbequistão. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

A equipa fecha com 20 pontos de encontro e torna-se campeã olímpica em casa, num torneio em que liderou praticamente do princípio ao fim.

Prata e bronze decididos no desempate

A Índia empatou 2-2 com a Hungria e a Alemanha venceu os Países Baixos por 2,5-1,5. Ambas terminaram com 18 pontos, e a prata foi para os indianos pelo primeiro critério de desempate: 405,5 contra 386,5. A Alemanha fica com o bronze, o melhor resultado da sua campanha depois de ter entrado na luta pelo pódio apenas na parte final da prova.

A Ucrânia, que na véspera tinha batido a China por 3-1 e chegara a colocar-se em posição de medalha, perdeu na última jornada e ficou fora do pódio.

A China não deixou dúvidas

Na secção feminina, a China bateu o Vietname por 3-1, com vitórias de Zhu Jiner no primeiro tabuleiro e de Lu Miaoyi no terceiro, e chegou aos 20 pontos. O Cazaquistão, único perseguidor a um ponto, empatou 2-2 com a Polónia e ficou-se pelos 18, o que ainda assim lhe garantiu a prata com folga.

O bronze foi para a Índia, que empatou 2-2 com a Geórgia — Humpy Koneru venceu Nana Dzagnidze, Bella Khotenashvili respondeu diante de Divya Deshmukh e os dois últimos tabuleiros terminaram empatados. Com 17 pontos, a Índia superou no desempate os Estados Unidos, a Polónia, a Arménia e a Mongólia, todos com a mesma pontuação.


As medalhas individuais por tabuleiro ainda não foram divulgadas.

Fontes: Chess-Results — secção aberta, 11.ª ronda · Chess-Results — secção feminina, 11.ª ronda

Olimpíadas de Xadrez 2026, 10.ª ronda: Portugal a meio ponto nas duas frentes

A penúltima jornada da 46.ª Olimpíada de Xadrez, em Samarcanda, deixou as duas seleções portuguesas à mesma distância de um resultado melhor: meio ponto. Aos absolutos, esse meio-ponto valia a vitória sobre o México. Às femininas, valia o empate com a Argentina. Nenhuma das duas o conseguiu, mas as razões são opostas, e é aí que está o interesse da jornada.

Portugal (masculinos): um empate com sabor a pouco

A seleção absoluta empatou 2-2 com o México, na mesa 29. Portugal era o favorito em todos os tabuleiros, com vantagens de Elo que iam dos 137 aos 224 pontos.

Portugal jogou com brancas no segundo e no quarto tabuleiros. Jorge Viterbo Ferreira e Bruno Martins venceram, nos dois tabuleiros extremos; André Ventura Sousa e José Francisco Veiga perderam, nos dois do meio. O marcador fechou pelo equilíbrio, mas o encontro não foi equilibrado: das quatro partidas, nenhuma terminou empatada.

Crédito: FPX

A Federação Portuguesa de Xadrez escreve que o triunfo esteve ao alcance e considera especialmente dolorosa a derrota de André Sousa, que teve o empate sempre à mão e cometeu um erro decisivo perto do fim. Foi esse o meio ponto que faltou.

A equipa soma 12 pontos de encontro e 24,5 de tabuleiro, no 55.º lugar entre 206 seleções.

Femininos: 1,5-2,5 com a Argentina, sendo mais fraca em três tabuleiros

A seleção feminina perdeu 1,5-2,5 com a Argentina, na mesa 21. Aqui a leitura dos números é a inversa: tirando o primeiro tabuleiro, onde Filipa Pipiras tinha uma ligeira vantagem de Elo, Portugal entrava em desvantagem de mais de 200 pontos em cada uma das outras três partidas.


Portugal jogou com brancas no primeiro e no terceiro tabuleiros, e Camila Avelino entrou no lugar de Raquel Duque. O resultado foram três empates e uma única derrota, num encontro em que a diferença de cotação apontava para bem pior.

Crédito: FPX

Os meios pontos de Camila Avelino e de Bianca Jeremias, cada uma com mais de 240 pontos de desvantagem, são o que de mais sólido a equipa produziu na jornada. A FPX escreve que as portuguesas estiveram à distância de um resultado histórico e cederam pela diferença mínima.

A equipa fica com 11 pontos de encontro e 22,5 de tabuleiro, no 64.º lugar entre 189 seleções.

A mesma distância, em sentidos contrários

Posta lado a lado, a jornada portuguesa tem uma simetria pouco comum. As duas equipas ficaram a meio ponto de um resultado diferente, mas uma chegou lá por cima e a outra por baixo: os absolutos deixaram fugir o que a folha de cotações lhes dava, a seleção feminina quase alcançou o que essa mesma folha lhes negava.

Do ponto de vista da classificação, é a segunda situação que se aproveita melhor. A seleção masculina somou um ponto de encontro num emparelhamento em que se esperavam dois, e desceu na tabela; as portuguesas não somaram nenhum, mas saíram do encontro com um sinal claro sobre a solidez dos tabuleiros de baixo, precisamente onde a equipa tem as jogadoras mais novas.

A última ronda

A 11.ª e última jornada joga-se hoje, e começou mais cedo do que as anteriores: às 11:00 de Samarcanda, 07:00 em Lisboa.

Os portugueses defrontam a Coreia do Sul na mesa 30. As duas equipas chegam com 12 pontos de encontro; a Coreia do Sul, 74.ª cabeça de série, tem as brancas no primeiro e no terceiro tabuleiros.

A seleção feminina joga com a Nova Zelândia na mesa 33, também com 11 pontos de cada lado. Portugal terá igualmente as brancas no segundo e no quarto tabuleiros.

São dois encontros ao alcance das duas seleções, e a última oportunidade de fechar a Olimpíada com o sinal positivo que a 10.ª ronda ficou a meio ponto de dar.

Fontes: FPX — Empate com o México soube a pouco · FPX — Derrota inglória das portuguesas com a Argentina · Chess-Results — secção aberta · Chess-Results — secção feminina

Olimpíadas de Xadrez 2026, 10.ª ronda: o Uzbequistão entra na última ronda com um ponto de vantagem

A penúltima jornada da 46.ª Olimpíada de Xadrez, em Samarcanda, resolveu menos do que prometia e deixou a prova numa última ronda aberta. O Uzbequistão bateu a Arménia por 3,5-0,5 na mesa 1 e vai para o dia decisivo com 18 pontos de encontro. A Índia, que resolveu o dérbi com o Uzbequistão 2 pelo mesmo número, segue a um ponto. Atrás, Ucrânia, Alemanha e Hungria ficaram a 16, ainda dentro do alcance de uma medalha.

O anfitrião a um passo do ouro

O encontro da mesa 1 foi o resultado mais desequilibrado do topo e o menos esperado. A Arménia chegava a esta ronda com 15 pontos, empatada com a Índia, e saiu dela sem uma única vitória parcial. Nodirbek Abdusattorov venceu no primeiro tabuleiro depois de um final longo, Javokhir Sindarov bateu Robert Hovhannisyan com preparação de casa e Mukhiddin Madaminov derrotou Gabriel Sargissian no quarto tabuleiro. O único meio-ponto arménio saiu do encontro entre Shant Sargsyan e Nodirbek Yakubboev.


Nodirbek Yakubboev, Javohir Sindarov, Nodirbek Abdusattorov do Uzbequistão, Robert Howhannisjan da Armênia. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

Abdusattorov mantém o percurso sem derrotas e o Uzbequistão chega à última jornada a depender apenas de si próprio, em casa e na frente.

A Índia respondeu da única forma que lhe servia. Contra o Uzbequistão 2, uma das surpresas do torneio, ganhou por 3,5-0,5, com triunfos de Nihal Sarin — com as peças pretas —, de Gukesh Dommaraju e de Rameshbabu Praggnanandhaa.

A Ucrânia estraga as contas à China

O resultado que mais mexeu com a corrida às medalhas veio da mesa 3. A Ucrânia venceu a China por 3-1 e subiu aos 16 pontos, com um desempate que a colocou à frente das restantes equipas nesse patamar. A partida que decidiu o encontro opôs Igor Kovalenko a Ding Liren, e tem um desfecho súbito: depois de mais de vinte lances de manobra, Ding Liren permite um garfo à dama e à torre. A FIDE assinala que é o género de erro que não se espera de um jogador desta craveira.

Igor Kovalenko da Ucrânia, Ding Liren da China. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

Nas restantes mesas do topo, a Alemanha bateu a França por 3-1, a Hungria fez o mesmo à Espanha e os Estados Unidos venceram a Grécia pela mesma margem, recuperando terreno depois da derrota da véspera com o anfitrião. Países Baixos e Azerbaijão averbaram triunfos por 2,5-1,5 sobre Roménia e Bulgária.

Femininos: o Cazaquistão encurta a distância

Na secção feminina, o encontro de que se esperava a decisão do ouro não a deu. A China empatou 2-2 com a Índia, num jogo de sentidos trocados: Zhu Jiner e Humpy Koneru empataram no primeiro tabuleiro, tal como Song Yuxin e Divya Deshmukh no segundo, enquanto Lu Miaoyi venceu Vantika Agrawal e Savitha Shri respondeu com uma vitória sobre Zhai Mo. A Chess.com descreve o encontro como um empate emocionante entre duas equipas de fortunas alternadas.

Zhu Jiner da China, Humpy Koneru da Índia. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

O empate teve consequências. O Cazaquistão venceu a França por 2,5-1,5 e aproximou-se a um ponto da liderança. A partida decisiva foi a de Bibisara Assaubayeva com Deimante Daulyte-Cornette.

A China lidera com 18 pontos, seguida do Cazaquistão com 17 e de Índia, Polónia e Vietname com 16. A Polónia bateu a Mongólia por 3-1, com vitórias de Aleksandra Maltsevskaya e Alicja Sliwicka, e o Uzbequistão feminino venceu o Peru por 3,5-0,5 na mesa 1.

Fontes: FIDE — Olympiad Day 10 · Chess.com — Round 10 · ChessBase — Samarkand R10 (women) ·  Chess-Results — secção aberta · Chess-Results — secção feminina

43.ª Seixalíada: Arthur Vlug vence com pleno e Tiago Machado é segundo no torneio de rápidas individual


O Clube Peões da Caparica (CPC) dominou o Torneio de Rápidas Individual da 43.ª Seixalíada, disputado na tarde de sábado, 26 de setembro, na sede do Independente Futebol Clube Torrense, na Torre da Marinha (Seixal). Arthur Vlug venceu a prova só com vitórias, 7 pontos em 7 partidas, e Tiago Machado terminou no segundo lugar, com 6 pontos. Os cinco representantes do clube acabaram todos entre os nove primeiros classificados.

A prova teve 45 inscritos e disputou-se em sistema suíço de sete rondas, com um ritmo de 3 minutos mais 2 segundos por lance. A organização esteve a cargo da Comissão Técnica da Seixalíada e do IFC Torrense, com direção de Susana Oliveira e arbitragem principal de Hugo Ferreira.

Arthur Vlug: sete em sete

Primeiro do ranking inicial, com 1997 de Elo, Arthur Vlug confirmou o favoritismo sem ceder um único meio ponto, conseguindo uma performance de 2517 ELO! Pelo caminho venceu Nuno André (1598), do GD Cavadas, e Jonathan Ambrósio (1746), do IFC Torrense, que viriam a terminar em 4.º e 5.º. Bateu também Artur Silva (1894), do Torrense, e o AFM Hugo Pontes (1631). Nas duas últimas rondas, já com o primeiro lugar em disputa direta, derrotou dois companheiros de clube: Yash Jain (1837) na sexta ronda e Gabriel Sobral Gonçalves (1847) na sétima.

Tiago Machado: recuperação notável

Nono do ranking inicial (1728), Tiago Machado teve um arranque adverso: perdeu na primeira ronda com Nuno Gomes, do GD Cavadas. A resposta foi uma série de seis vitórias consecutivas. Nas duas últimas rondas venceu Artur Silva (1894) e Pedro Coelho (1817), do Macovi/Opupe/Almada, e garantiu o segundo lugar com 6 pontos. Ficou meio ponto à frente de Ayrton César (1915), do GD Cavadas, segundo do ranking inicial, que fechou o pódio com 5,5 pontos.

Yash Jain, Gabriel Sobral Gonçalves e Caio Souza no top-10

Com 5 pontos, Yash Jain (7.º), Gabriel Sobral Gonçalves (8.º) e Caio Souza (9.º) completaram a forte presença do CPC na metade superior da tabela. Ficaram separados apenas pelos critérios de desempate.

Gabriel Gonçalves perdeu na ronda inaugural, mas somou depois cinco vitórias seguidas, entre as quais sobre Pedro Pintor (1687) e o AFM Hugo Pontes. A sequência só foi travada na última ronda, frente a Arthur Vlug. Yash Jain venceu cinco das sete partidas e só perdeu com Jad Harb, da EXL, e com Arthur Vlug.

Merece especial destaque o jovem Caio Souza, do escalão sub-16. Partiu como 17.º do ranking inicial (1581) e terminou em 9.º. Venceu jogadores com Elo superior, como Jonathan Ambrósio (1746) e Óscar Catarino (1725), do CRD Cavaquinhas, e registou uma performance de 1706, segundo o Chess-Results, cerca de 125 pontos acima do seu Elo.

Os resultados do CPC


No conjunto, os cinco jogadores do CPC somaram 28 pontos em 35 possíveis.

Pódio

1.º Arthur Vlug (Clube Peões da Caparica) – 7 pontos
2.º Tiago Machado (Clube Peões da Caparica) – 6 pontos
3.º Ayrton César (GD Cavadas) – 5,5 pontos

Parabéns aos cinco jogadores pela excelente tarde de xadrez e à organização da Seixalíada.

Fontes:
Classificação final – Chess-Results: https://chess-results.com/tnr1489231.aspx?lan=10&art=1&rd=7
Página do torneio – Chess-Results: https://s2.chess-results.com/tnr1489231.aspx?lan=10&SNode=S0
Página oficial da Seixaliada: https://seixaliada.pt/

sábado, setembro 26

43.ª Seixalíada: Peões da Caparica terminam invictos no 2.º lugar do torneio de rápidas por equipas

O Clube Peões da Caparica (CPC) conquistou o segundo lugar no Torneio de Rápidas por Equipas da 43.ª Seixalíada, disputado na tarde de sábado, 26 de setembro, na sede do Independente Futebol Clube Torrense, na Torre da Marinha (Seixal). A equipa dos Peões da Caparica concluiu a prova sem derrotas, com três vitórias e dois empates, e ficou a apenas um ponto do vencedor, o Independente FC Torrense A.

A competição reuniu dez equipas de quatro jogadores, em sistema suíço de cinco rondas, com um ritmo de 3 minutos mais 2 segundos por lance. A organização esteve a cargo da Comissão Técnica da Seixaliada e do IFC Torrense, com direção de Susana Oliveira e arbitragem principal de Hugo Ferreira.

O CPC partiu como primeira equipa do ranking inicial, com um Elo médio de 1852. Alinhou com Arthur Vlug no primeiro tabuleiro, Tiago Machado (capitão) no segundo, Jain Yash no terceiro e Gabriel Sobral Gonçalves no quarto.

Ronda a ronda

A estreia foi autoritária: vitória por 4-0 frente ao Independente FC Torrense C. Na segunda ronda surgiu o primeiro teste sério, diante da EXL, e o encontro terminou 2-2. Arthur Vlug venceu André Cabaça (1897) no primeiro tabuleiro e Tiago Machado superou André Pereira, mas Yash Jain e Gabriel Gonçalves perderam as respetivas partidas.

A equipa respondeu com novo 4-0, desta vez frente ao Amadora Xadrez, e chegou à quarta ronda para defrontar o Torrense A, a formação que viria a vencer a prova. O duelo terminou novamente empatado, 2-2. Vlug empatou com Modeste Mendes (1996) e Yash Jain dividiu o ponto com Artur Silva (1894). Gabriel Gonçalves bateu o AFM Hugo Pontes e Tiago Machado cedeu frente a Jonathan Ambrósio. A fechar, o CPC somou o terceiro 4-0 da tarde, frente ao Torrense B.

Balanço

Os Peões da Caparica fizeram 16 dos 20 pontos possíveis nos tabuleiros e não perderam nenhum encontro. O título escapou por um ponto. O Torrense A só cedeu pontos no confronto direto com o CPC. Os Peões, além desse empate, repartiram também os pontos com a EXL, e foi essa diferença que decidiu a classificação.

Arthur Vlug foi a figura da equipa: 4,5 pontos em 5 partidas no primeiro tabuleiro, sem derrotas, e uma performance de 2057, segundo o Chess-Results. Tiago Machado e Gabriel Sobral Gonçalves somaram 4 pontos cada e Yash Jain fez 3,5.

Classificação final (primeiros cinco)

1.º Independente FC Torrense A – 14 pontos
2.º Clube Peões da Caparica – 13 pontos
3.º EXL – 12 pontos
4.º Grupo Desportivo Cavadas – 11 pontos
5.º Amadora Xadrez – 11 pontos

Parabéns aos quatro jogadores pela prestação e à organização da Seixalíada por mais uma edição deste torneio.

Fontes:
Classificação final – Chess-Results: https://s1.chess-results.com/tnr1489226.aspx?lan=10&SNode=S0
Composição e resultados da equipa do CPC – Chess-Results: https://chess-results.com/tnr1489226.aspx?lan=10&art=20&snr=1
Página oficial da Seixaliada: https://seixaliada.pt/

Olimpíadas de Xadrez 2026, 9.ª ronda: resultados opostos para as seleções portuguesas

 Portugal (absolutos)

Portugal perdeu com a Argentina por 1-3, na mesa 17. A seleção nacional jogou com brancas nos tabuleiros 1 e 3.

Crédito: FPX

A conta era desfavorável desde o emparelhamento: os argentinos alinharam quatro grandes mestres entre os 2537 e os 2553 Elo, contra um grande mestre e três mestres internacionais portugueses. O encontro trouxe ainda o interesse suplementar da Argentina apresentar no primeiro tabuleiro Faustino Oro, que a FPX descreve como o segundo grande mestre mais jovem de sempre. Jorge Viterbo Ferreira simplificou a posição cedo e empatou sem grandes dificuldades, na leitura da FPX. Bruno Martins somou outro meio ponto valioso, diante de um adversário com mais 133 pontos de Elo. André Sousa e José Francisco Veiga foram superados nos tabuleiros do meio, e aí decidiu-se o encontro.

Portugal desce ao 47.º lugar, com 11 pontos de encontro e 22,5 na soma dos tabuleiros, entre 206 seleções. A leitura é simples: a equipa aguenta-se quando as diferenças de Elo são de dezenas de pontos, como diante da Roménia, e paga caro quando são de centenas.

Portugal (femininos)

A seleção feminina averbou a quinta vitória da prova, por 3-1 sobre a Argélia, na mesa 33. A Argélia foi nomeada em primeiro lugar no emparelhamento, pelo que Portugal jogou com brancas nos tabuleiros 2 e 4.

Crédito: FPX

Foi um encontro sem derrotas, com as vitórias de Filipa Pipiras e da campeã nacional Raquel Duque. Mariana Silva cedeu um empate diante da única argelina com Elo superior ao seu, e Bianca Jeremias assegurou o outro meio ponto. A FPX acrescenta um dado que interessa para além desta Olimpíada: com o que fizeram em Samarcanda, Raquel Duque e Bianca Jeremias estão mais perto do título de mestre FIDE feminina.

Portugal sobe ao 55.º lugar, com 11 pontos de encontro e 21 na soma dos tabuleiros, entre 189 seleções. As duas seleções nacionais chegam assim à penúltima ronda com a mesma pontuação de encontro.

10.ª ronda

A 10.ª ronda joga-se hoje, sábado. Nos masculinos, Portugal defronta o México, 75.ª cabeça de série, na mesa 29. Portugal joga de brancas nos tabuleiros 2 e 4. As duas equipas têm 11 pontos de encontro e a vantagem teórica é ligeiramente portuguesa.

Nos femininos, Portugal defronta a Argentina na mesa 21, com brancas nos tabuleiros 1 e 3. A mesma federação em dois dias seguidos, portanto. São a 28.ª cabeça de série e chegam empatadas com Portugal em pontos de encontro, com vantagem de 22,5 contra 21 na soma dos tabuleiros.

Fontes: FIDE — Olympiad Day 9 · Chess.com — Round 9 · Blogue da Lichess — rondas 7 a 9 · FPX — Portugal batido pela Argentina · FPX — Quinta vitória das portuguesas · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina

Olimpíadas de Xadrez 2026, 9.ª ronda: o Uzbequistão volta a isolar-se e fica a um passo do ouro

 Um final de torres decide a liderança

O Uzbequistão está outra vez sozinho na frente da secção aberta. Na 9.ª ronda, disputada na quinta-feira, a equipa anfitriã bateu os Estados Unidos, primeira cabeça de série da prova, por 2,5-1,5, e chegou aos 16 pontos de encontro — um acima do grupo perseguidor, a duas rondas do fim.

Nodirbek Abdusattorov do Uzbequistão, Javohir Sindarov do Uzbequistão, Nodirbek Yakubboev do Uzbequistão, Mukhiddin Madaminov do Uzbequistão. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

No primeiro tabuleiro, Nodirbek Abdusattorov derrotou Fabiano Caruana; no terceiro, Nodirbek Yakubboev bateu Hans Niemann. Os americanos responderam com a vitória de Wesley So sobre Javokhir Sindarov, no segundo, e o quarto tabuleiro, entre Madaminov e Levon Aronian, terminou empatado.

A FIDE escreve que Caruana parecia ter o empate firmemente na mão, mas decidiu não trocar um par de torres, deixando a partida entrar num final de torres duplas que Abdusattorov acabou por converter. O blogue da Lichess é mais direto e fala de um erro súbito no final. Não é a mesma leitura: uma descreve uma opção estratégica que se revelou má, a outra um lapso isolado. O que nenhuma das duas contesta é o estado de forma do uzbeque — a FIDE assinala que Abdusattorov continua invicto na prova, com 7 pontos em 9 partidas.

No terceiro tabuleiro há um pormenor com história, registado pela Chess.com: foi a sexta vitória consecutiva de Yakubboev sobre Niemann. 

Hans Niemann, dos EUA. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

O resto do topo

A Índia manteve-se na corrida ao vencer a Alemanha por 2,5-1,5, e a Lichess resume o encontro pelo desfecho do tabuleiro de Gukesh Dommaraju: o campeão do mundo esteve em posição perdida diante de Alexander Donchenko e ganhou depois de o alemão se desmoronar por completo. Uma partida destas pode valer uma medalha.

O Uzbequistão 2 foi a nota mais inesperada da ronda, com 3,5-0,5 aos Países Baixos, sexta cabeça de série. A Arménia bateu o Azerbaijão por 2,5-1,5 no dérbi caucasiano e subiu ao grupo dos 15 pontos. A França e a China dividiram pontos, 2-2, e ficaram fora da luta direta pelo ouro.

Maxime Vachier-Lagrave da França, Ding Liren da China. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

Classificação após nove rondas: Uzbequistão, 16 pontos; Índia, Uzbequistão 2 e Arménia, 15; China, Alemanha, França, Espanha, Ucrânia e Hungria, 14.

Na secção feminina, a China isolou-se com 17 pontos, dois acima de Índia, Cazaquistão e Mongólia. Venceu a Arménia por 3-1, e a Chess.com nota que Zhu Jiner e Lu Miaoyi obtiveram desforra da derrota que as arménias lhes infligiram na Olimpíada de 2024. A partida de Lu Miaoyi contra Elina Danielian deu o lance mais vistoso do dia: com vantagem esmagadora e vários caminhos para terminar, a chinesa escolheu o mais espetacular, 36.Ta7!, a atacar a dama preta. Depois de 36...Dxa7 veio 37.Dxe6+ e a arménia abandonou — a FIDE explica que 37...Rf8 seria respondido com 38.Ch7#, enquanto 37...Rh8 permitia 38.Dxc8+, também com mate em dois.

A Índia venceu o Uzbequistão por 3-1, com Divya Deshmukh e Vantika Agrawal a manterem o percurso invicto, segundo a FIDE. A Mongólia e o Cazaquistão empataram 2-2, tal como a Geórgia e a Grécia.

10.ª ronda

A 10.ª ronda joga-se hoje, sábado. No topo, a mesa 1 da secção absoluta junta Arménia e Uzbequistão, num encontro que pode decidir o ouro; segue-se Uzbequistão 2 contra Índia na mesa 2, Ucrânia contra China na 3 e Alemanha contra França na mesa 4. Na secção feminina, a mesa 2 tem o encontro da prova: China contra Índia, a líder isolada contra a primeira perseguidora.

Fontes: FIDE — Olympiad Day 9 · Chess.com — Round 9 · Blogue da Lichess — rondas 7 a 9 · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina

sexta-feira, setembro 25

Última hora — Olimpíadas de Xadrez 2026, 9.ª ronda: o Uzbequistão bate os Estados Unidos e volta a isolar-se

 Uzbequistão sozinho na frente

Um dia depois de perder com a Alemanha, o Uzbequistão voltou a vencer. Na mesa 1 bateu os Estados Unidos por 2,5-1,5. Nodirbek Abdusattorov venceu Fabiano Caruana no primeiro tabuleiro e Nodirbek Yakubboev venceu Hans Niemann no terceiro. Wesley So reduziu com uma vitória sobre Javokhir Sindarov, e Mukhiddin Madaminov empatou com Levon Aronian.

A Alemanha perdeu com a Índia por 2,5-1,5. Houve três empates: Praggnanandhaa-Keymer, Erigaisi-Bluebaum e Nihal Sarin-Frederik Svane. O ponto decisivo foi de Gukesh, que bateu Alexander Donchenko no quarto tabuleiro.

A maior surpresa veio da mesa 4. O Uzbequistão 2 venceu os Países Baixos por 3,5-0,5, e Jakhongir Vakhidov (2527) bateu Anish Giri (2757). Mukhammadzokhid Suyarov e Ortik Nigmatov venceram Loek van Wely e Erwin l'Ami, e Jorden van Foreest empatou com Abdimalik Abdisalimov.

França e China empataram 2-2, com quatro empates. A Arménia venceu o Azerbaijão por 2,5-1,5, graças à vitória de Gabriel Sargissian sobre Rauf Mamedov no quarto tabuleiro.

As contas são nossas, porque a classificação oficial ainda não saiu. O Uzbequistão tem 16 pontos de encontro. Índia, Uzbequistão 2 e Arménia têm 15. Alemanha, China, França, Hungria, Ucrânia e Espanha têm 14.

Feminino: a China ganha dois pontos de vantagem

A China venceu a Arménia por 3-1, com vitórias de Zhu Jiner e Lu Miaoyi. A Índia bateu o Uzbequistão por 3-1, com pontos de Divya Deshmukh e Vantika Agrawal. Mongólia e Cazaquistão empataram 2-2: Bibisara Assaubayeva e Alua Nurman venceram nos dois primeiros tabuleiros e a Mongólia respondeu nos dois últimos. Geórgia e Grécia também empataram 2-2.

Pelas nossas contas, a China soma 17 pontos, e Cazaquistão, Mongólia e Índia somam 15. A duas rondas do fim, a China tem dois pontos de vantagem.

Portugal (femininos): vitória sobre a Argélia

Na mesa 33, Portugal venceu a Argélia por 3-1. Portugal jogou com brancas nos tabuleiros 2 e 4.


Camila Avelino descansou. Portugal passa a ter 11 pontos de encontro e 21 de tabuleiro. A posição na classificação só será conhecida quando esta for publicada.

Portugal (masculinos): a Argentina confirma o favoritismo (editado)

Na mesa 17, Portugal perdeu com a Argentina por 1-3. É a primeira derrota da seleção absoluta desde a 2.ª ronda. Portugal jogou de brancas nos tabuleiros 1 e 3. Do outro lado estavam quatro grandes mestres, todos com mais Elo do que os portugueses.


Os pontos portugueses vieram dos empates de Jorge Viterbo Ferreira e Bruno Martins. Martins chega aos 6,5 pontos em 8 partidas e continua sem derrotas na prova. Luís Galego voltou a descansar. Portugal fica com 11 pontos de encontro e 22,5 de tabuleiro. A posição só será conhecida quando a classificação for publicada.

Nota para a corrida às medalhas individuais

Para quem leu o texto desta tarde: Yagiz Kaan Erdogmus empatou com Arkadij Naiditsch e passa a ser elegível. Jorden van Foreest fica com sete partidas válidas, a uma do mínimo.

Fontes: Chess-Results, emparelhamentos por tabuleiro da 9.ª ronda, secção aberta · Chess-Results, emparelhamentos por tabuleiro da 9.ª ronda, secção feminina · Chess-Results, ficha da seleção absoluta portuguesa

Olimpíadas de Xadrez 2026: a corrida às medalhas de ouro individuais masculinas

 A Olimpíada não distribui só medalhas por equipas. Em cada um dos quatro tabuleiros há ouro, prata e bronze individuais, e a três rondas do fim já é possível ver quem está em posição de os arrecadar. Com a 9.ª ronda a decorrer em Samarcanda, os dados completos são os de após oito rondas — e revelam uma corrida em que o critério de atribuição pesa tanto como o xadrez jogado.

A regra que decide tudo

As medalhas individuais não vão para quem somou mais pontos. Vão para quem tem a melhor performance de torneio no seu tabuleiro, calculada a partir da pontuação e da força dos adversários. O regulamento da FIDE para esta edição é explícito quanto ao critério e quanto a uma condição que está a moldar a prova: é preciso ter jogado pelo menos oito partidas para ser elegível a um prémio de tabuleiro. Em caso de igualdade na performance, desempata quem tiver jogado mais partidas.

São onze rondas e quatro tabuleiros por encontro, com um suplente. Isto significa que um jogador que tenha descansado três vezes fica de fora, por muito boa que tenha sido a sua prestação. E há mais: as vitórias atribuídas administrativamente não contam. A página oficial dos prémios por tabuleiro ignora expressamente as faltas de comparência — o que tem consequências diretas para os Países Baixos, que na 6.ª ronda receberam um 4-0 sem jogo contra Israel.

O quadro após oito rondas


Uma nota de método, para que o leitor saiba o que está a ler: as performances, as pontuações, o número de partidas válidas e os ganhos de Elo são valores publicados pelo Chess-Results. Os Elos médios dos adversários foram calculados por nós, somando os Elos de cada adversário defrontado e dividindo pelo número de partidas. Os ganhos de Elo são parciais, não incluem a 9.ª ronda e usam o coeficiente do torneio.

Tabuleiro 1: um rapaz de quinze anos à frente de todos

A liderança do primeiro tabuleiro pertence a Yagiz Kaan Erdogmus, e isso é notícia por si. O turco nasceu em junho de 2011: tem quinze anos. Foi grande mestre aos 12 anos e 10 meses, o quarto mais jovem da história, e chegou aos 2716 de Elo em agosto deste ano. Leva 6 pontos em 7 partidas, com empates contra Abdusattorov e contra Vincent Keymer — precisamente os dois primeiros tabuleiros das duas equipas que lideram a prova — e uma performance de 2893.

Yagiz Kaan Erdogmus. Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

Falta-lhe uma partida para ficar elegível. Joga hoje com a Bulgária, contra Arkadij Naiditsch, e basta-lhe entrar em campo para resolver a questão da elegibilidade.

Atrás dele, Abdusattorov já cumpriu as oito partidas e tem a seu favor um detalhe que a tabela mostra bem: defrontou a oposição mais forte de todos os candidatos, com um Elo médio de adversários de 2643. Os seus 2836 valem, em rigor competitivo, mais do que o número sugere. Hoje defronta os Estados Unidos, o que na prática significa um encontro direto com outro candidato ao pódio do primeiro tabuleiro.

Tabuleiro 2: a melhor performance da prova, e um problema de contabilidade

Os 2972 de Jorden van Foreest são a melhor performance entre os quatro tabuleiros. 

Jorden van Foreest. Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

Só que o neerlandês tem apenas seis partidas válidas — a vitória administrativa contra Israel não conta — e faltam três rondas. Tem de jogar duas das três para chegar ao mínimo. É o caso mais apertado de toda a corrida, e depende menos dele do que do capitão.

Sindarov e Wei Yi seguem a meio ponto de performance, ambos com sete partidas e uma só em falta. A FIDE assinalou que Wei Yi se mantinha invicto na prova, e o chinês somou na 8.ª ronda uma das combinações mais bem construídas da jornada, contra Szymon Gumularz.

Tabuleiro 3: o único que já não depende de ninguém

Frederik Svane é, de todos os líderes de tabuleiro, o único que reúne as duas condições ao mesmo tempo: lidera a performance e já cumpriu as oito partidas. 

Frederik Svane. Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

Os 6,5 pontos em 8 e a performance de 2811 foram sublinhados pela ChessBase depois da vitória sobre Yakubboev que travou o pleno do Uzbequistão. É também o maior ganho de Elo deste grupo, com +16,3. Hoje a Alemanha defronta a Índia, e Svane volta a ter adversário de topo.

Tabuleiro 4: o mesmo número, valores diferentes

Marc'Andria Maurizzi lidera com 2769 e 6 pontos em 7, mas é aqui que o Elo médio dos adversários conta uma história que a performance sozinha não conta: o francês defrontou uma oposição de 2460 de média, a mais fraca entre todos os candidatos. 

Gukesh, logo atrás com 2739, jogou contra 2488 de média e já tem as oito partidas feitas. A França defronta hoje a China, o que deve resolver parte da dúvida sobre a qualidade da oposição de Maurizzi.

O que esperar até domingo

Faltam três rondas e a 9.ª coloca quase todos os candidatos frente a adversários de primeira linha: Uzbequistão-Estados Unidos na mesa 1, Índia-Alemanha na 2, França-China na 3 e Uzbequistão 2-Países Baixos na 4. Nenhuma destas performances vai ficar onde está.

A leitura mais segura, neste momento, é a do terceiro tabuleiro, onde Svane controla o seu destino. As mais incertas são as do segundo, por causa da contabilidade de Van Foreest, e a do primeiro, onde Erdogmus tem a melhor performance, mas ainda tem de a confirmar contra adversários que, em média, foram mais fracos do que os de Abdusattorov. Convém recordar que nada disto está decidido: a medalha é atribuída pela performance ao fim das onze rondas, e três partidas contra adversários de 2600 ou 2700 mexem estes números com facilidade.

Fontes: Regulamento da FIDE para a Olimpíada 2026 · Chess-Results — prémios por tabuleiro, secção aberta · Chess-Results — secção aberta · ChessBase — Samarkand R8 · Chess.com — Olympiad Round 8 · FIDE — Olympiad Day 8 · Wikipédia — Yağız Kaan Erdoğmuş

Olimpíadas de Xadrez 2026, 8.ª ronda: os irmãos Svane travam o Uzbequistão e reabrem a corrida às medalhas

 Havia uma certeza em Samarcanda até quarta-feira à tarde: o Uzbequistão ganhava sempre. Sete encontros, sete vitórias, a liderança isolada e o público da casa a encher o pavilhão todos os dias. Na 8.ª ronda essa certeza caiu. A Alemanha bateu os anfitriões por 2,5-1,5, juntou-se-lhes no primeiro lugar e transformou uma prova que parecia encaminhada numa corrida aberta a três rondas do fim.

Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

O encontro que mudou a prova

O primeiro tabuleiro não teve história: Vincent Keymer e Nodirbek Abdusattorov assinaram o empate. No segundo, Javokhir Sindarov manteve o percurso individual impecável que leva na prova e venceu Matthias Bluebaum, colocando o Uzbequistão em vantagem. O encontro decidiu-se, como já tinha acontecido na ronda anterior, nos dois tabuleiros de baixo, e decidiu-se em família.

Frederik Svane venceu Nodirbek Yakubboev no terceiro tabuleiro. Segundo a ChessBase, o alemão abriu o centro com o rei adversário ainda por abrigar e entregou um bispo para abrir ainda mais a posição.

Crédito: ChessBase

Depois de 22...Cxd5 seguiu-se 23.Txf7, torre que as negras preferiram não aceitar, respondendo 23...Be6 24.Txe7 Dxe7 25.Df3 0-0-0. A partida já não tinha regresso. Frederik Svane chegou assim aos 6,5 pontos em oito partidas, com uma performance de 2811 — dos melhores registos individuais da prova até ao momento.

No quarto tabuleiro, Rasmus Svane aproveitou um descuido de Shamsiddin Vokhidov ao 16.º lance. 

Crédito: ChessBase

A ChessBase descreve a sequência: 16...Dxd1+ 17.Txd1 Ce2+, um garfo de cavalo que resolveu a partida no imediato; devolvida a qualidade por um peão, o alemão entrou num final de torres ganho. Dois irmãos, dois pontos, e a primeira derrota uzbeque na Olimpíada que organiza.

A ChessBase resume o efeito na tabela de forma clara: a vitória alemã comprimiu consideravelmente a classificação, com o Uzbequistão a manter o primeiro lugar apenas pelos desempates, ambas as equipas com 14 pontos em 16 possíveis. Atrás delas ficou um pelotão de oito equipas a um único ponto — China, Países Baixos, Azerbaijão, Estados Unidos, Índia, França, Arménia e a segunda equipa uzbeque.

O resto do topo

Os Estados Unidos foi a equipa mais eficaz do dia, com um 3,5-0,5 à Sérvia: venceram Fabiano Caruana, Hans Niemann e Awonder Liang, e Levon Aronian empatou. A China bateu a Polónia por 2,5-1,5, com Wei Yi a assinar a combinação mais elegante da jornada frente a Szymon Gumularz: 32...Dxf3+ 33.Bxf3 Bxf3 34.Rf2 Tf8! 35.e4 Bd1!, e as brancas abandonaram. A Índia empatou 2-2 com o Azerbaijão, numa ronda em que Gukesh Dommaraju não conseguiu converter vantagem frente a Mahammad Muradli, e os Países Baixos empataram com a Arménia — Jorden van Foreest venceu Robert Hovhannisyan, Shant Sargsyan respondeu sobre Loek van Wely.

Árbitros na Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

A China sozinha no comando do feminino

Na secção feminina, a China venceu a Geórgia por 2,5-1,5 e isolou-se na liderança com 15 pontos. O ponto decisivo foi de Zhai Mo, que, na leitura da Chess.com, terminou com um ataque de mate sobre Lela Javakhishvili. 

Nana Dzagnidze da Geórgia, Zhu Jiner da China. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

O Cazaquistão empatou 2-2 com a Índia, numa mesa em que Savitha Shri chegou aos 7 pontos em 7 partidas ao vencer Elnaz Kaliakhmet e equilibrar a derrota de Vaishali Rameshbabu frente a Alua Nurman. Cazaquistão, Arménia e Mongólia seguem com 14 pontos; a Arménia, 16.ª cabeça de série, venceu os Estados Unidos por 2,5-1,5.

Portugal (masculinos): quatro empates de mérito na mesa 14

Olimpíada de Xadrez FIDE 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

Foi o melhor resultado coletivo da equipa absoluta, medido pela qualidade do adversário. Na mesa 14, Portugal empatou 2-2 com a Roménia, 23.ª cabeça de série, com desvantagem de Elo nos quatro tabuleiros e três grandes mestres do outro lado. Nenhuma partida se decidiu.

Portugal jogou com brancas nos tabuleiros 1 e 3. Luís Galego voltou a descansar. A equipa soma 11 pontos de encontro e 21,5 de tabuleiro, e ocupa o 35.º lugar entre 206 equipas. Note-se o efeito dos desempates: somou-se um ponto de encontro e desceu-se cinco posições face ao 30.º lugar da véspera — sinal de que, nesta zona da tabela, o lugar depende tanto de quem se defronta como do que se pontua.

Fonte: FPX

Portugal (femininos): 4-0 a Andorra e salto de dezoito lugares

Fonte: FPX

Resultado de natureza oposta no mesmo dia. Na mesa 45, Portugal venceu Andorra, 99.ª cabeça de série, por 4-0 — o segundo pleno da equipa na prova, depois do que fez à Santa Lúcia na 1.ª ronda.


Portugal jogou com brancas nos tabuleiros 2 e 4. Mariana Silva descansou. O pleno veio a seguir a duas derrotas — 0-4 com a Estónia e 1,5-2,5 com os Emirados Árabes Unidos — e valeu a subida do 93.º para o 75.º lugar entre 189 equipas, com 9 pontos de encontro e 18 de tabuleiro. O percurso vai em quatro vitórias, um empate e três derrotas.

Próxima ronda

A 9.ª ronda põe os dois primeiros à prova de imediato: o Uzbequistão recebe os Estados Unidos e a Alemanha defronta a Índia, campeã em título. A China joga com a França e o Azerbaijão com a Arménia.

Portugal sobe à mesa 17 para defrontar a Argentina, 24.ª cabeça de série, com as duas equipas em 11 pontos de encontro e os portugueses ligeiramente à frente nos pontos de tabuleiro (21,5 contra 20,5). É, no papel, um adversário do calibre da Roménia, e Portugal joga de brancas nos tabuleiros 1 e 3.

Na secção feminina, Portugal desloca-se à mesa 33 para jogar com a Argélia, 82.ª cabeça de série, também com 9 pontos de encontro. As portuguesas terão brancas nos tabuleiros 2 e 4. Com meio ponto de tabuleiro a separar as duas equipas, é um encontro que pode valer mais vinte lugares na classificação — ou custá-los.

Fontes: ChessBase — Samarkand R8 (open) · Chess.com — 2026 Chess Olympiad Round 8 · FIDE — Olympiad Day 8 · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Federação Portuguesa de Xadrez