quarta-feira, setembro 23

Olimpíadas de Xadrez 2026, 7.ª ronda: o Uzbequistão bate a China e Portugal (masculinos) sobe ao 30.º lugar

 A sétima ronda em Samarcanda tinha o encontro que todos esperavam na primeira mesa e não desiludiu. O Uzbequistão recebeu a China, venceu por 3-1 e é a única equipa da secção absoluta com sete vitórias em sete encontros. Com 14 pontos de encontro, a anfitriã abriu dois pontos de vantagem sobre o pelotão perseguidor — uma margem confortável a quatro rondas do fim, ainda assim longe de ser decisiva.

Para Portugal, foi uma jornada de sinais opostos: os absolutos bateram o Panamá e assinaram a melhor classificação da prova até aqui, enquanto a seleção feminina perdeu com os Emirados Árabes Unidos e desceu na tabela classificativa.

Secção absoluta

Abdusattorov derrotou Ding Liren e Yakubboev bateu Yu Yangyi. Foram estas as duas vitórias que deram ao Uzbequistão o 3-1 e a liderança isolada. A China ficou-se pelos 11 pontos e desceu ao 7.º lugar, com as medalhas ainda ao alcance, mas sem margem para novos tropeços.

Round 7 Nodirbek Abdusattorov of Uzbekistan, Ding Liren of China. Crédito: Rafal Oleksiewicz/FIDE

Atrás do líder formou-se um grupo de cinco equipas com 12 pontos. Os Países Baixos foram os mais expressivos da ronda, com 3,5-0,5 à Bulgária; a Índia bateu a Inglaterra por 2,5-1,5; a Alemanha venceu a Turquia por 3-1; e o Azerbaijão, com 3,5-0,5 à Grécia, foi quem mais subiu na jornada. A Arménia cedeu um empate a 2-2 com os Estados Unidos e juntou-se ao mesmo pelotão.


Secção feminina

China e Cazaquistão empataram 2-2 no encontro de topo e continuam juntas na frente, com 13 pontos. Nenhuma equipa mantém o pleno de vitórias, o que deixa a corrida às medalhas mais aberta do que na secção absoluta.

FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarcanda. Crédito: Michal Walusza / FIDE

O empate das líderes trouxe cinco equipas para um ponto de distância. A Índia foi a mais forte da ronda, com 3,5-0,5 à Alemanha; a Bulgária venceu a Ucrânia por 3-1; a Geórgia bateu a Polónia por 2,5-1,5; e a Arménia e a Mongólia somaram vitórias por 2,5-1,5 sobre o Azerbaijão e a França, dois resultados que confirmam quanto o pelotão intermédio está equilibrado.


Portugal

A seleção masculina jogou na mesa 29 com o Panamá, 88.ª cabeça de série, e venceu por 3-1.


Luís Galego descansou. A equipa sobe aos 10 pontos de encontro e 19,5 de tabuleiro, e ocupa o 30.º lugar — a melhor posição de Portugal nesta Olimpíada, depois de ter fechado a sexta ronda no 52.º. Duas vitórias seguidas, e por margens claras, valem mais do que o simples somatório: colocam a seleção na zona da tabela onde os adversários já obrigam a outro nível de exigência.

A seleção feminina defrontou os Emirados Árabes Unidos e perdeu por 1,5-2,5, um resultado que surpreende pelo diferencial de Elo a favor de Portugal em todos os tabuleiros.


Camila Avelino descansou. Bianca Jeremias voltou a ser a nota positiva no quarto tabuleiro, mas as derrotas nas duas primeiras mesas pesaram. A equipa mantém os 7 pontos de encontro, soma 14 de tabuleiro e desce ao 93.º lugar. Com quatro rondas por disputar, o caminho passa por encontrar regularidade nos tabuleiros de cima.

Amanhã pela manhã voltamos ao assunto, com a crónica da sétima ronda e a análise das partidas que a decidiram.

Fontes: Chess-Results, secção aberta e secção feminina; fichas de equipa de Portugal (absolutos, femininos); Chess.com; blogue do Lichess; site oficial da Olimpíada; Federação Portuguesa de Xadrez.

Olimpíadas de Xadrez 2026: o balanço das seleções portuguesas, tabuleiro a tabuleiro

O dia de descanso em Samarcanda serve para os capitães fazerem contas. Portugal chega a meio da prova com dois cenários distintos: a seleção absoluta cumpriu o que o seu Elo médio anunciava, a seleção feminina ficou aquém. Mas os pontos de encontro contam apenas parte da história. Quem paga a fatura, ronda após ronda, são os jogadores — e essa fatura mede-se em Elo.

Antes dos números, uma nota que explica muito do que se segue. O Elo funciona como um contrato de expectativas: contra adversários mais fracos, vencer quase não rende e empatar custa caro. Para uma equipa que é a 49.ª cabeça de série nos absolutos e a 57.ª nos femininos, e que nas primeiras rondas defronta países de menor tradição, o saldo tende naturalmente para o vermelho. Acresce que o coeficiente K não é igual para todos: os jogadores que já passaram os 2400 pontos são avaliados com K=10, os restantes com K=20. Daí que uma desilusão na secção feminina custe, em Elo, o dobro da mesma desilusão na secção absoluta.

Seleção absoluta: um em cinco a ganhar Elo

Oito pontos de encontro e 16,5 de tabuleiro, 52.º lugar. Individualmente, o quadro é este, após seis rondas:

Bruno Martins é o único português com saldo positivo, e não por pouco: 4,5 pontos em cinco partidas, performance de 2414, acima do seu próprio Elo. Foi o jogador mais constante da equipa e o único que ainda não perdeu. Numa seleção em que os quatro tabuleiros estão separados por pouco mais de 120 pontos de Elo, ter o quarto tabuleiro a somar quase sempre é uma vantagem competitiva real.

No extremo oposto, Jorge Viterbo Ferreira paga o preço de ser o primeiro tabuleiro de uma equipa média: enfrentou a série mais dura de adversários, com média próxima dos 2330 pontos, e fez 50% dos pontos. É um resultado que, no primeiro tabuleiro, não é mau — mas que, para quem tem 2529 Elo, custa 12,4 pontos de Elo, a maior perda da equipa. André Ventura Sousa segue caminho semelhante, com três pontos em cinco e −8,9 Elo. José Francisco Veiga é, depois de Martins, quem melhor segurou o seu capital: 3,5 pontos, apenas −4,1 Elo.

O caso de Luís Galego merece contexto. Entrou em quatro rondas, venceu três e perdeu uma, no Líbano. É a função clássica do suplente numa olimpíada — entrar contra equipas de nível mais baixo, arrumar o ponto e sair — e nessa função o saldo de 3 em 4 é aceitável, mesmo que a derrota da 5.ª ronda tenha deixado a performance nos 2196. No conjunto, a equipa perde 27,4 pontos de Elo a meio do torneio.

Seleção feminina: o dobro do custo

Sete pontos de encontro, 12,5 de tabuleiro, 70.º lugar. O 0-4 sofrido com a Estónia, na 6.ª ronda, pesa aqui mais do que o resultado sugere.


Filipa Pipiras venceu as três partidas em que partiu como favorita e perdeu as duas em que defrontou jogadoras de 2400 — Nurgyul Salimova e Mai Narva. É o percurso previsível de um primeiro tabuleiro isolado: a diferença entre ela e a segunda tabuleira portuguesa ultrapassa os 270 pontos de Elo, o que a obriga a defrontar quase sempre adversárias acima do seu nível. Perder 7,8 pontos Elo nestas condições é um mal menor.

O ponto sensível está nos tabuleiros intermédios. Camila Avelino e Mariana Silva somam duas derrotas de Elo pesadas, −18,2 e −15,8, com performances cerca de 160 pontos abaixo do respetivo Elo. Nenhuma das duas teve um encontro fácil pelo caminho, mas as partidas contra adversárias de nível equivalente — as que decidem encontros como o de Trindade e Tobago — escaparam-lhes. Em contrapartida, Raquel Duque e Bianca Jeremias seguram-se com saldos curtos, −5,4 Elo e −4,4 Elo, e são, em termos relativos, as que mais se aproximaram do seu valor.

O saldo coletivo é de −51,6 pontos de Elo. Convém, ainda assim, relativizar: com K=20, a mesma percentagem de pontos custa o dobro do que custa aos colegas da secção absoluta. Medida em performance, a diferença entre as duas equipas é bastante menor do que o saldo de Elo faz parecer.

E agora?

A 7.ª ronda arranca hoje. Nos absolutos, Portugal defronta o Panamá na mesa 29, com a equipa panamiana a jogar de brancas no 1.º e 3.º tabuleiro — um adversário com quatro jogadores entre os 2160 e os 2350 pontos, portanto um encontro equilibrado e daqueles em que Bruno Martins, no quarto tabuleiro, volta a ser peça decisiva. Na secção feminina, Portugal joga de negras no 1.º e 3.º tabuleiro frente aos Emirados Árabes Unidos, na mesa 33. São dois encontros em que Portugal não é claramente favorito nem claramente desfavorecido — exatamente o tipo de jornada que, na segunda metade de uma olimpíada, separa o 50.º lugar do 70.º.

Fontes: Chess-Results — secção aberta, ficha de Portugal · Chess-Results — secção feminina, ficha de Portugal · Chess-Results — emparelhamentos da 7.ª ronda · Federação Portuguesa de Xadrez

Olimpíadas de Xadrez 2026: um líder isolado, dois plenos no feminino e Portugal em subida

 A 46.ª Olimpíada parou ontem para o habitual dia de descanso. Cumpridas seis das onze rondas, o quadro em Samarcanda já tem contornos definidos, ainda que nada esteja decidido: faltam cinco jornadas e, a partir de agora, o sistema suíço junta os primeiros aos primeiros.

Secção aberta: o Uzbequistão sozinho e um pelotão de onze

A seleção anfitriã é a única com pleno de vitórias. Os 12 pontos de encontro em 12 possíveis foram selados na 6.ª ronda, com o 2,5-1,5 sobre a Índia, e valem-lhe também o melhor registo de tabuleiro da prova, 19,5. A China segue a um ponto, com 11, e a Arménia acompanha-a com os mesmos 11, embora com desempate bem mais modesto.

O que torna esta meia-distância interessante é o que vem atrás. Onze equipas partilham os 10 pontos: França, Países Baixos, Turquia, Índia, Grécia, Alemanha, Inglaterra, Bulgária, Azerbaijão, Uzbequistão 2 e Estados Unidos. Dois pontos de encontro, em cinco rondas, não são distância nenhuma. Numa prova em que o primeiro critério são os pontos de encontro e o desempate se constrói com os resultados dos tabuleiros, a diferença entre vencer por 4-0 e vencer por 2,5-1,5 pode valer uma medalha. O Uzbequistão sabe-o: lidera não só por pontos, mas por margem de desempate.

A 7.ª ronda, hoje, coloca o líder frente à China na mesa 1. Ao lado, Arménia-Estados Unidos, Inglaterra-Índia, Alemanha-Turquia e Países Baixos-Bulgária. É a primeira jornada em que praticamente todos os candidatos se defrontam entre si.

Secção feminina: duas equipas sem uma falha

No torneio feminino há dois plenos. A China chegou ao descanso com 12 pontos e o melhor desempate da prova, 20,5 de tabuleiro, depois de um 3,5-0,5 sobre a Polónia. O Cazaquistão acompanha-a com os mesmos 12, conquistados de forma mais apertada: o 2,5-1,5 ao Azerbaijão ficou decidido num final de torre e bispo, com Alua Nurman a bater Gunay Mammadzada. A jogadora cazaque, de 19 anos, leva 4 pontos em 5 partidas e uma performance de 2482, segundo a ChessBase.

Também aqui se formou um pelotão de onze equipas a 10 pontos, entre as quais a Índia, a Bulgária, a Alemanha, a Geórgia e a França. A indiana Savitha Shri é, até ao momento, a única com pontuação perfeita, 5 em 5, na sua estreia olímpica. Hoje, a China e o Cazaquistão medem forças na mesa 1, com Zhu Jiner e Bibisara Assaubayeva nos primeiros tabuleiros.

Portugal (absolutos)

A seleção absoluta fez a melhor primeira metade dos últimos anos. Soma 8 pontos de encontro e 16,5 de tabuleiro, o que a coloca no 52.º lugar. O percurso: 4-0 às Maldivas, 1,5-2,5 com Madagáscar, 2-2 com a Tailândia, 3-1 a Barbados, 2-2 com o Líbano e 4-0 à República Dominicana. Dois resultados máximos em seis encontros, e uma subida constante — 70.º depois da 4.ª ronda, 63.º depois da 5.ª, 52.º agora.

O motor tem estado nos tabuleiros de baixo. Bruno Martins leva 4,5 pontos em 5 partidas, o melhor registo da equipa; José Francisco Veiga soma 3,5 em 5; André Ventura Sousa e Luís Galego têm 3 pontos, o primeiro em cinco partidas, o segundo em quatro. Jorge Viterbo Ferreira, que enfrenta sempre a oposição mais forte no primeiro tabuleiro, está nos 2,5 em 5. É um equilíbrio saudável: a equipa não depende de um só jogador.

Portugal (femininos)

A seleção feminina tem 7 pontos de encontro e 12,5 de tabuleiro, no 70.º lugar. O percurso alterna vitórias claras com derrotas pesadas: 4-0 a Santa Lúcia, 0-4 com a Bulgária, 2-2 com Trindade e Tobago, 3,5-0,5 a Moçambique, 3-1 ao Uruguai e 0-4 com a Estónia. Os dois encontros perdidos foram precisamente os dois contra equipas de cabeça de série alta — a Estónia, 15.ª classificada à entrada para a 7.ª ronda, apresentou quatro jogadoras acima dos 2000 Elo e não cedeu meio ponto.

Individualmente, Filipa Pipiras e Raquel Duque lideram com 3 pontos em 5 partidas, Bianca Jeremias tem 2,5 em 4, e Mariana Silva e Camila Avelino somam 2 em 5. A performance de 2133 da Grande Mestre feminina no primeiro tabuleiro fica abaixo do seu Elo, mas é também no primeiro tabuleiro que as adversárias são sempre mais fortes.

E hoje?

A 7.ª ronda começa hoje às 11:00 de Lisboa. Nos absolutos, Portugal joga na mesa 29 com o Panamá. Os portugueses terão as pretas nos tabuleiros 1 e 3. Na secção feminina, Portugal está na mesa 33, frente aos Emirados Árabes Unidos, com as brancas nos tabuleiros 1 e 3.

São dois encontros entre equipas do mesmo patamar de pontos, como manda o sistema suíço, e é precisamente aí que se decide a classificação final de seleções como as nossas. Com cinco rondas por disputar, cada ponto de encontro pesa — e cada meio ponto de tabuleiro também.

Fontes: Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Chess.com, 6.ª ronda · ChessBase, 6.ª ronda feminina · Lichess, balanço das rondas 4 a 6 · FPX, «Segundo triunfo por 4-0 de Portugal em Samarcanda» · FPX, «Portuguesas sem argumentos para a Estónia»

terça-feira, setembro 22

II Open Clássicas CPC: regulamento publicado e inscrições abertas

O Clube Peões da Caparica publica hoje o regulamento do II Open Clássicas Clube Peões da Caparica (II OCCPC). As inscrições estão abertas. É um torneio FIDE de partidas clássicas, com sete rondas jogadas às terças e quintas-feiras, entre 6 e 27 de outubro, no Campus da Caparica da NOVA FCT.

O torneio encontra-se listado no site do Chess-Results em Chess-Results Server Chess-results.com - II Open Clássicas Clube Peões da Caparica.

O formato

A prova joga-se em sistema suíço, com sete rondas e ritmo de 90 minutos por jogador, mais 30 segundos por lance. Os emparelhamentos e os desempates são feitos com o Swiss Manager. O clube já pediu a homologação FIDE, e os resultados contam para o Elo nacional e internacional. O árbitro é Alberto Martinho.

Cada jogador pode pedir até dois byes de meio ponto, apenas nas quatro primeiras rondas. O pedido tem de chegar à direção da prova antes do fim da ronda anterior. Para a 1.ª ronda, o bye é pedido por e-mail até 48 horas antes do início. Quem não estiver na sala 30 minutos depois da hora marcada perde por falta de comparência, e três faltas implicam a exclusão do torneio.

Calendário


As partidas jogam-se no Edifício VII da NOVA FCT, Campus da Caparica, Quinta da Torre, 2829-516 Caparica.

Inscrições e taxas

O torneio é aberto a jogadores federados na FPX e tem um limite de 60 participantes. Quem não for federado pode pedir ao CPC a filiação, suportando o respetivo custo.

A inscrição faz-se por e-mail para xpeoes.caparica@gmail.com, com "II OCCPC" no assunto. No corpo da mensagem devem constar, para cada jogador, o nome completo, a data de nascimento e o clube. O CPC responde com o valor a pagar. O pagamento é feito por transferência bancária, e o comprovativo tem de ser enviado no prazo de dois dias. A inscrição só fica validada depois do clube confirmar a receção do pagamento.


Quem se inscrever até 29 de setembro paga menos, e a diferença é maior para os sócios do clube e para os titulados.

Prémios

Os cinco primeiros da classificação geral recebem prémios monetários de 100, 60, 40, 20 e 10 euros. Os três primeiros recebem também troféus. Há diplomas para o primeiro classificado de cada escalão, do sub-8 ao sub-20, e para os melhores nas categorias feminina, veteranos +50, veteranos +65 e jogador do CPC. Os prémios não monetários acumulam com os restantes.

Como já anunciámos aqui, os cinco melhores seniores ou veteranos de clubes do concelho de Almada recebem convites duplos para "Medida por Medida", de Shakespeare, no Teatro Municipal Joaquim Benite, a 7 de novembro, às 21h00.

Desempates

Seguem o artigo 31.º do Regulamento de Competições da FPX, por esta ordem: resultado entre os jogadores empatados (se se tiverem defrontado), Buchholz corrigido, Buchholz completo, Sonneborn-Berger, maior número de partidas, maior número de vitórias, maior número de partidas com pretas e, por fim, sorteio.

Apoios

A organização é do Clube Peões da Caparica. A prova conta com os apoios regulares da Câmara Municipal de Almada, da Junta da União das Freguesias de Caparica e Trafaria e do Agrupamento de Escolas da Caparica. Tem ainda apoios extraordinários do Teatro Municipal Joaquim Benite, em parceria com a Companhia de Teatro de Almada, e da NOVA FCT.

A lista de inscritos, o cartaz e eventuais atualizações do regulamento serão divulgados pelo clube. As classificações serão publicadas neste blogue.

Fontes: Regulamento do II OCCPC Blogue do CPC;  "II Open Clássicas CPC: Prémio Teatro Municipal Joaquim Benite oferece convites para peça de Shakespeare"

Olimpíadas de Xadrez 2026, 6.ª ronda: um cavalo em f5 e o Uzbequistão sozinho na frente

 Na secção aberta, a 6.ª ronda da Olimpíada de Samarcanda decidiu-se numa só partida. O Uzbequistão bateu a Índia, campeã olímpica em título, por 2,5-1,5. Chega ao dia de descanso isolado no comando, com 12 pontos em 12 possíveis. Houve três empates e uma vitória, a de Nodirbek Yakubboev sobre Nihal Sarin, no terceiro tabuleiro. É dessa partida que trata esta crónica.

FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarkand. Crédito Michal Walusza/FIDE


Três empates e uma partida decisiva

Nos outros tabuleiros o equilíbrio foi total. Nodirbek Abdusattorov empatou com Praggnanandhaa, Javokhir Sindarov com Arjun Erigaisi e Shamsiddin Vokhidov com Gukesh. O resultado do encontro ficou por isso nas mãos de Yakubboev e Nihal.

Segundo o relato da Chess.com, o jogador indiano entrou na fase decisiva com a melhor posição e com cerca de meia hora no relógio. Era tempo mais do que suficiente para calcular. No 37.º lance jogou 37...Cf5, com a intenção de defender um peão, de acordo com a análise publicada pela FIDE. A resposta foi imediata: 38.Ce6+, um xeque de cavalo que atacava ao mesmo tempo o rei e a dama. Nihal acabou por perder a dama.

FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarkand. Crédito: Michal Walusza / FIDE

Vários comentadores indicam 37...Rh6 como a continuação segura. A FIDE sugere que Nihal teria o lance decidido antes de rever a posição. Segundo o portal indiano The Bridge, Vidit Gujrathi, que comentava a ronda, mostrou-se surpreendido com um erro destes sem apuros de tempo. Yakubboev converteu a vantagem e soma agora 4,5 pontos em 5 partidas.

Esta partida tem uma lição simples para qualquer jogador de clube. O ataque duplo de cavalo com xeque é um dos primeiros temas táticos que se aprendem e continua a decidir partidas ao mais alto nível. Raramente acontece por desconhecimento. Quase sempre é porque o lance foi escolhido antes de se verificar o que o adversário pode fazer a seguir.

O que mudou na corrida às medalhas

A derrota tira à Índia a liderança partilhada e deixa-a no grupo de equipas com 10 pontos. Depois da ronda anterior, Índia, Uzbequistão e Alemanha eram as únicas equipas só com vitórias. Agora resta uma.

A Alemanha também perdeu o registo só de vitórias. A China venceu-a por 3-1. Ding Liren derrotou Vincent Keymer no primeiro tabuleiro e Xu Xiangyu bateu Alexander Donchenko no quarto, num final que a FIDE descreve como exemplar da força do par de bispos contra dois cavalos. A China e a Arménia, que venceu o Irão por 2,5-1,5, somam 11 pontos e são as perseguidoras diretas.

FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarkand. Crédito: Michal Walusza / FIDE

Na secção feminina, a China (3,5-0,5 à Polónia) e o Cazaquistão (2,5-1,5 ao Azerbaijão, com a vitória decisiva de Alua Nurman) seguem só com vitórias. A seleção feminina da Índia venceu os EUA por 3-1, com vitórias de Vantika Agrawal e Savitha Shri. Savitha Shri leva 5 pontos em 5 partidas.

Classificações

Após 6 rondas de intensa competição, o Uzbequistão lidera o torneio absoluto só com vitórias (12 pontos), seguido da China, Alemanha e Arménia, com 11 pontos.

No torneio feminino, a China (melhor desempate) e o Cazaquistão lideram, destacadas, com 12 pontos e o pleno de vitórias, seguidas da Índia, Bulgária e Alemanha, com 10 pontos.

Crédito: FIDE

Portugal (seleção masculina)

A seleção absoluta igualou o seu melhor resultado: vitória por 4-0 sobre a República Dominicana, na mesa 32. Portugal jogou com brancas nos tabuleiros 1 e 3. O GM Jorge Ferreira e os MI André Sousa, José Francisco Veiga e Bruno Martins obtiveram os triunfos parciais no encontro com os dominicanos. O GM Luís Galego descansou.

GM Jorge Ferreira e os MI André Sousa, José Francisco Veiga e Bruno Martins. Crédito: FPX

Com 8 pontos de encontro e 16,5 de tabuleiro, Portugal subiu ao 52.º lugar. A equipa confirmou o favoritismo sem ceder meio ponto. Bruno Martins continua a ser a grande figura da seleção, com 4,5 pontos em 5 partidas.

Portugal (femininos)

Foi um dia difícil para a seleção feminina, que jogou na mesa 19 e perdeu por 0-4 com a Estónia. Portugal teve brancas nos tabuleiros 2 e 4. Raquel Duque descansou.

A Estónia era mais forte em todos os tabuleiros, com diferenças entre cerca de 60 e 225 pontos de Elo, e confirmou o favoritismo. O resultado não apaga as três vitórias anteriores, mas a equipa cai para o 70.º lugar, com 7 pontos de encontro e 12,5 de tabuleiro.

Dia de descanso

A FIDE refere-se ao dia de descanso de forma curiosa (tradução livre): "Amanhã, os jogadores têm o dia livre para explorar o centro histórico numa visita organizada, praticar desporto ou descontrair com a equipa. Mas hoje à noite a prioridade é a festa: a célebre Bermuda Party é um clássico que já faz parte da história das Olimpíadas de Xadrez da FIDE. É o ponto de encontro de todos os participantes, desde os mais jovens e amadores aos grandes mestres mundiais, a oportunidade ideal para desanuviar, dançar e conviver fora da pressão dos tabuleiros."

Vem aí uma 7.ª ronda escaldante

Depois do dia de descanso, a 7.ª ronda joga-se na quarta-feira, 23 de setembro, às 15:00 de Samarcanda (11:00 em Lisboa). Na secção aberta, a mesa 1 já é um encontro de peso: Uzbequistão-China. Seguem-se Arménia-EUA e Inglaterra-Índia. Na feminina, as duas equipas só com vitórias defrontam-se na mesa 2, China-Cazaquistão. Na mesa 3 joga-se Alemanha-Índia.

A seleção masculina portuguesa defronta o Panamá, na mesa 29. A feminina joga com os Emirados Árabes Unidos, na mesa 33. Portugal é a 57.ª cabeça de série e os Emirados a 83.ª, pelo que as portuguesas partem como favoritas. Depois de um 0-4, é a oportunidade de voltar a somar pontos antes da reta final.

Fontes: Chess.com · FIDE · The Bridge · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Site oficial da Olimpíada

segunda-feira, setembro 21

Olimpíadas de Xadrez 2026, 6.ª ronda: última hora!

 A 6.ª ronda, a última antes do dia de descanso, deixou o Uzbequistão sozinho no comando da secção aberta. A seleção da casa venceu a Índia e é agora a única com o pleno de resultados. China e Arménia estão a um ponto. Nos femininos, China e Cazaquistão continuam só com vitórias.

Para Portugal foi um dia de sinais contrários. A seleção masculina venceu a República Dominicana por 4-0, o melhor resultado desde a 1.ª ronda. A seleção feminina perdeu por 0-4 com a Estónia.

Secção absoluta

Na mesa 1, o Uzbequistão bateu a Índia por 2,5-1,5. Houve só uma partida decisiva: Nodirbek Yakubboev venceu Nihal Sarin no terceiro tabuleiro. A Alemanha também chegou à ronda com o pleno, mas perdeu com a China por 3-1. As vitórias chinesas foram de Ding Liren, contra Vincent Keymer, e de Xu Xiangyu, contra Alexander Donchenko. A Arménia venceu o Irão por 2,5-1,5. A França empatou 2-2 com a Inglaterra, e os Países Baixos bateram Israel por 4-0.


Logo atrás, com 10 pontos, está um grupo de onze equipas: França, Países Baixos, Turquia, Índia, Grécia, Alemanha, Inglaterra, Bulgária, Azerbaijão, Estados Unidos e Uzbequistão 2, a segunda equipa que o país anfitrião inscreveu na prova. Faltam cinco rondas. O Uzbequistão, campeão olímpico de 2022, joga em casa e lidera com 12 pontos. Tem um ponto de vantagem sobre a China e a Arménia e dois sobre o grupo que vem atrás.

Secção feminina

A China venceu a Polónia por 3,5-0,5, e o Cazaquistão bateu o Azerbaijão por 2,5-1,5. A Índia venceu os EUA por 3-1, com vitórias de Savitha Shri e Vantika Agrawal. A Geórgia bateu o Uzbequistão por 3,5-0,5 na mesa 1, que o regulamento reserva à seleção anfitriã.

Onze equipas estão a dois pontos, com 10: Índia, Bulgária, Alemanha, Suíça, Arménia, Polónia, Azerbaijão, Geórgia, França, Mongólia e Ucrânia. A China e o Cazaquistão ainda não se defrontaram.

Portugal — seleção masculina

A seleção masculina jogou na mesa 32 com brancas nos tabuleiros 1 e 3.

Luís Galego descansou nesta ronda. Portugal soma agora 8 pontos e subiu do 63.º para o 52.º lugar. Bruno Martins continua a ser o melhor da equipa, com 4,5 pontos em 5 partidas. Um resultado destes, logo antes do descanso, põe Portugal perto da posição que lhe cabe como 49.º cabeça de série.

Portugal — seleção feminina

A seleção feminina jogou na mesa 19 com brancas nos tabuleiros 2 e 4. 

Raquel Duque descansou nesta ronda. A Estónia tinha o Elo mais alto nos quatro tabuleiros e confirmou o favoritismo. Portugal fica com 7 pontos e desceu do 38.º para o 70.º lugar. A Estónia é 15.ª. Como a equipa chegou a esta ronda nos primeiros 40, o emparelhamento pôs-lhe à frente adversárias de nível superior. Numa ronda assim, uma derrota pesada pode acontecer.


Amanhã é dia de descanso em Samarcanda. A crónica da manhã volta a esta 6.ª ronda com mais pormenor. A 7.ª ronda joga-se na próxima quarta-feira, 23 de setembro.

Fontes: Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Chess.com, 6.ª ronda · FPX


II Open Clássicas CPC: Prémio "Teatro Municipal Joaquim Benite" oferece convites para peça de Shakespeare

 

O II Open Clássicas CPC tem um novo prémio, e desta vez não se joga no tabuleiro. O Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB) e a Companhia de Teatro de Almada vão apoiar o torneio com 5 convites duplos para o espetáculo "Medida por Medida", no dia 7 de novembro de 2026, às 21h00. O Clube Peões da Caparica agradece ao TMJB por continuar a colaborar connosco.


A peça

"Medida por Medida" é uma peça de William Shakespeare, uma nova criação da Companhia de Teatro de Almada. A encenação é de Ignacio García, diretor do Festival de Teatro Clássico de Almagro, e esta é a quarta vez que o encenador espanhol trabalha com a companhia. Segundo a companhia, é um texto de Shakespeare que há muito não subia a um palco português. 

A ação parte da escolha de Ângelo para governar Viena enquanto o duque está ausente da cidade. Ângelo aproveita o cargo para fazer mal. Aplica com rigor extremo uma lei antiga e condena à morte o jovem Cláudio. A irmã deste, Isabela, uma noviça, vai pedir-lhe clemência. Ângelo, o juiz implacável, põe então um preço indecoroso ao perdão. O duque acompanha tudo disfarçado e prepara a reviravolta final. O próprio encenador diz que é uma peça difícil de classificar, embora na origem tenha sido tida como comédia. Segundo Ignacio García, a peça trata da bondade e da perversão do poder, da justiça e da injustiça dos governos, e do amor e da luxúria que se confundem.

A peça está em cena na Sala Principal do TMJB de 30 de outubro a 29 de novembro. É para maiores de 12 anos.

Quem recebe os convites

 Os 5 convites duplos serão atribuídos para o espectáculo do dia 7 de Novembro, às 21h00, como prémio aos 5 melhores jogadores seniores ou veteranos do concelho de Almada. Os convites serão entregues na sessão de encerramento, a 27 de outubro. 

Onde fica o teatro

O Teatro Municipal Joaquim Benite fica na Av. Professor Egas Moniz, Almada.

Agradecemos ao Teatro Municipal Joaquim Benite e à Companhia de Teatro de Almada. O xadrez e o teatro têm mais em comum do que parece: nos dois há estratégia, personagens e desfechos que ninguém esperava.

Olimpíadas de Xadrez 2026, 5.ª ronda: Alemanha derrota EUA e Portugal com resultados mistos

 A 5.ª ronda desfez o empate a oito no topo da secção aberta. Ficaram três equipas só com vitórias: Uzbequistão, Índia e Alemanha. Das três, a Alemanha teve o adversário mais difícil, os Estados Unidos, primeiros cabeças de série. O encontro decidiu-se num único tabuleiro.

Vincent Keymer, Fabio Caruana. Credit: Rafal Oleksiewicz/FIDE

Três empates e uma partida decisiva

Nos tabuleiros 1, 2 e 4 ninguém arriscou muito. Keymer e Caruana empataram por repetição ao 20.º lance, Alexander Donchenko e Levon Aronian fizeram o mesmo ao 26.º, e Matthias Bluebaum empatou com Wesley So. O resultado ficou nas mãos de Frederik Svane e Hans Niemann, no 3.º tabuleiro.

Hans Niemann. Credit: Rafal Oleksiewicz/FIDE

Svane, a preparação e 27.Cc5!!

Fonte: Chess.com

Svane jogou com brancas e trouxe uma linha que já conhecia bem. Em entrevista à Chess.com referiu que ficou satisfeito com a posição que saiu da abertura. Já tinha jogado aquela variante com brancas frente a Michael Adams até por volta do 15.º lance, numa partida que considera provavelmente a melhor da sua carreira.

O lance decisivo foi 27.Cc5, assinalado pela Chess.com com dois pontos de exclamação. Segundo o mesmo relato, Svane jogou-o quase de imediato, e a partir daí Niemann não conseguiu recuperar. A Alemanha venceu por 2,5-1,5. Ao falar da tensão do encontro, o grande mestre alemão Jan Gustafsson disse que depois da vitória de Svane o empate nos outros tabuleiros parecia simples. Até então, admitiu, estava só a fingir que lia um livro.

O que mudou na corrida às medalhas

A vitória alemã pesa mais porque os outros dois líderes também venceram. O Uzbequistão bateu a Hungria por 4-0. Nodirbek Abdusattorov venceu Richard Rapport, que perdeu um peão importante com 17.g4?. Javokhir Sindarov bateu Peter Leko, Nodirbek Yakubboev venceu Benjamin Gledura e Vokhidov venceu Dudin. Segundo a Chess.com, Yakubboev passou a fasquia dos 2700 no Elo ao vivo.

A Índia venceu os Países Baixos por 3-1. Praggnanandhaa bateu Anish Giri numa partida muito confusa, depois de Giri ter sacrificado material em h3. O indiano disse que, em alguns momentos críticos com pouco tempo no relógio, conseguiu jogar melhor do que o adversário. Gukesh somou a quarta vitória seguida, depois de Erwin l'Ami ter errado com 23.f4?, a que se seguiu 23...c3!.

Com seis rondas por jogar, o Uzbequistão lidera pelo desempate. A 6.ª ronda, jogada hoje, junta os três líderes: Uzbequistão–Índia na mesa 1 e China–Alemanha na mesa 2.

Fonte: Chess.com

Portugal (absolutos)

Mesa 35: Líbano 2-2 Portugal. Portugal teve brancas nos tabuleiros 2 e 4.

Fonte: FPX

A seleção era mais forte no papel em todos os tabuleiros, mas cedeu um empate. André Ventura Sousa voltou a vencer depois de duas derrotas seguidas. Luís Galego chegou a esta ronda com três vitórias em três partidas e perdeu com um adversário cerca de 250 pontos abaixo. Bruno Martins, o jogador português com mais pontos (3,5 em 4), descansou. Portugal soma 6 pontos de encontro e 12,5 de tabuleiro e está em 63.º lugar.

Portugal (femininos)

Mesa 33: Portugal 3-1 Uruguai. Portugal teve brancas nos tabuleiros 1 e 3.

Fonte: FPX

Filipa Pipiras voltou à equipa depois do descanso e venceu com brancas. Raquel Duque ganhou pela segunda ronda seguida. As duas somam agora 3 pontos cada. Mariana Silva não jogou. Foi a segunda vitória seguida da seleção feminina, que chega aos 7 pontos. Está em 38.º lugar, a melhor posição desde o início da prova.

Próxima ronda

A 6.ª ronda joga-se hoje e é a última antes do dia de descanso de amanhã. A seleção masculina defronta a República Dominicana, 86.ª cabeça de série. Portugal terá brancas nos tabuleiros 1 e 3. É um encontro em que a nossa equipa é favorita e precisa de ganhar, depois de dois empates com adversários de menor Elo.

A seleção feminina joga com a Estónia, 41.ª cabeça de série. Portugal terá brancas nos tabuleiros 2 e 4. Este é o adversário mais forte desde a Bulgária, na 2.ª ronda, e serve para medir se a subida das últimas duas rondas tem continuidade.

No topo feminino jogam-se Polónia–China, Azerbaijão–Cazaquistão e Índia–EUA. Na secção aberta, depois de Uzbequistão–Índia e China–Alemanha, pode haver no máximo dois líderes só com vitórias.

Fontes: Chess.com – relato da 5.ª ronda · ChessBase – Samarkand R5 (open) · FPX – Portugal empata com Líbano · FPX – Triunfo moralizador das portuguesas · Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Zamin.uz – Uzbequistão 4-0 Hungria

domingo, setembro 20

Olimpíadas de Xadrez 2026, 5.ª ronda: última hora

 A quinta ronda desfez o empate a oito que havia no topo da secção absoluta. Dos quatro encontros entre equipas com pontuação máxima, três tiveram vencedor, e só o Uzbequistão, a Índia e a Alemanha seguem com o pleno de pontos de encontro. A jornada ficou marcada pelas derrotas dos dois primeiros cabeças de série das respetivas secções: os Estados Unidos nos absolutos e a Índia entre as mulheres.

Portugal teve um dia de sinal contrário nas duas seleções: a equipa masculina cedeu um empate ao Líbano, numa mesa em que partiam com vantagem média de Elo, e a equipa feminina somou a segunda vitória consecutiva, diante do Uruguai.

Secção absoluta

O Uzbequistão foi o mais expressivo da ronda ao vencer a Hungria por 4-0, sem ceder meio ponto. A Índia bateu os Países Baixos por 3-1 e a Alemanha derrotou os Estados Unidos por 2,5-1,5, num encontro decidido pela vitória de Frederik Svane sobre Hans Niemann, segundo o relato do Chess.com. O quarto duelo de topo, entre a China e a Arménia, terminou empatado a 2.

A ordem entre as três primeiras é dada pelo desempate. Com seis rondas ainda por disputar, a diferença é mínima, mas o Uzbequistão passa a ter o melhor saldo de tabuleiros da prova, o que conta muito na atribuição das medalhas.

Secção feminina

A Polónia venceu a Índia por 2,5-1,5, com a partida de Aleksandra Maltsevskaya a ser a única decidida no encontro. O Cazaquistão bateu a Alemanha por 2,5-1,5, a China venceu a Bulgária por 3-1 e o Azerbaijão derrotou a Sérvia pelo mesmo resultado. Os Estados Unidos empataram a 2 com o Uzbequistão e evitaram a segunda derrota graças à vitória de Alice Lee.


Portugal

Na mesa 35, os nossos jogadores empataram a 2 com o Líbano. André Ventura Sousa foi o único vencedor português; Luís Galego perdeu com o mestre candidato Adib Arkadan, quase 250 pontos de Elo abaixo. Jorge Viterbo Ferreira e José Francisco Veiga repartiram pontos. Bruno Martins descansou.


Portugal soma seis pontos e ocupa o 63.º lugar.

Na mesa 33, a seleção feminina venceu o Uruguai por 3-1. Filipa Pipiras, de regresso depois de ter descansado na ronda anterior, e Raquel Duque venceram; Camila Avelino e Bianca Jeremias empataram. Mariana Silva não jogou.


São sete pontos e seguem agora no 38.º lugar — a melhor posição das duas seleções nesta fase da prova.

Amanhã de manhã virá a crónica da ronda, com a análise das partidas e o que espera Portugal na sexta jornada.

Fontes: Chess-Results, secção aberta · Chess-Results, secção feminina · Chess.com, "Top Seeds USA, India Lose In Samarkand Olympiad Round 5" · Federação Portuguesa de Xadrez

Olimpíadas de Xadrez 2026, 4.ª ronda: a jornada em que Portugal voltou às vitórias e Aronian salva uma posição perdida

 Uma ronda sem surpresas no topo

Depois de três rondas com resultados inesperados, a 4.ª jornada da 46.ª Olimpíada de Xadrez, jogada ontem em Samarcanda, repôs a ordem nas mesas de cima. Nos dez primeiros encontros da secção aberta, só o Azerbaijão–República Checa e o França–Roménia terminaram empatados. Nas restantes mesas do topo venceram as equipas com melhor ranking.

A China bateu a Sérvia por 3-1, com uma vitória de Wei Yi sobre Aleksandar Indjic que a FIDE escolheu como a tática do dia. A Índia venceu em Espanha por 3-1 e a Alemanha derrotou a Polónia por 2,5-1,5. O Uzbequistão, a jogar em casa, venceu a Turquia pelo mesmo resultado.


Oito equipas mantêm o pleno de 8 pontos de encontro na secção aberta: China, Uzbequistão, Alemanha, Arménia, Estados Unidos, Índia, Países Baixos e Hungria. Na secção feminina são dez: Estados Unidos, China, Polónia, Uzbequistão, Bulgária, Alemanha, Índia, Azerbaijão, Cazaquistão e Sérvia.

A partida do dia: Aronian contra Dehtiarov

O encontro mais aguardado era o Estados Unidos–Ucrânia. Terminou 3,5-0,5 para os norte-americanos, um resultado que esconde o que se passou numa das partidas.

Levon Aronian jogou com brancas contra Roman Dehtiarov, campeão europeu em título, com apenas 18 anos. Segundo a FIDE, o ucraniano saiu da abertura com vantagem. Dennis Monokroussos, no The Chess Mind, vai mais longe e escreve que Aronian esteve completamente perdido. Acrescenta que Dehtiarov encontrou a ideia certa, mas um lance tarde demais. A Chess.com escolheu-a como partida do dia, pela vitória obtida a partir de uma posição perdida. No relato da FIDE, o momento decisivo foi um sacrifício posicional de dama de Aronian, que mudou o rumo da partida.

FIDE Chess Olympiad 2026 – Samarkand; Credit: Michal Walusza / FIDE

A partida mostra bem o que é uma Olimpíada. Um jogador jovem, com a preparação e a posição a seu favor, perde contra um adversário experiente, que continua a criar problemas quando a posição já não o justifica. Para a Ucrânia, 12.ª cabeça de série, foi uma derrota pesada, que a deixa com 6 pontos de encontro.

Noutra mesa do mesmo encontro, Fabiano Caruana venceu Vassily Ivanchuk.

Na secção feminina, os Estados Unidos também venceram por 3,5-0,5, desta vez a Espanha. Somam 15 pontos de tabuleiro em 16 possíveis. Alice Lee, no segundo tabuleiro, leva 4 vitórias em 4 partidas, e a Chess.com já a aponta como candidata a uma medalha individual. A China venceu a Hungria pelo mesmo resultado.

Portugal (absolutos)

Vitória por 3-1 sobre Barbados, na mesa 50. Portugal jogou de brancas nos tabuleiros 1 e 3. Luís Galego ficou de fora nesta ronda.

Foi o resultado esperado contra um adversário de ranking claramente inferior, mas não chegou sem custos. Jorge Viterbo Ferreira voltou às vitórias depois da derrota com a Tailândia. Bruno Martins somou a segunda vitória seguida. A nota negativa é o segundo tabuleiro. André Ventura Sousa perdeu pela segunda ronda consecutiva, desta vez com um adversário com cerca de 220 pontos de Elo a menos.

Portugal tem agora 5 pontos de encontro e 10,5 de tabuleiro. Segundo a FPX, subiu ao 70.º lugar, ainda longe da 49.ª posição de partida.

Portugal (femininos)

Vitória por 3,5-0,5 sobre Moçambique, na mesa 46, num encontro entre dois países lusófonos. Moçambique foi nomeado em primeiro lugar, pelo que Portugal jogou com pretas nos tabuleiros 1 e 3. Filipa Pipiras descansou nesta ronda.

O que mais se destaca é a resposta de Mariana Silva e Raquel Duque, que tinham perdido com Trindade e Tobago e venceram as duas. Bianca Jeremias leva duas vitórias seguidas. Camila Avelino cedeu o único empate do encontro. O selecionador Sérgio Rocha pôde dar descanso à jogadora mais cotada sem pôr o resultado em causa.

A seleção feminina tem 5 pontos de encontro e 9,5 de tabuleiro e está em 66.º lugar entre 189 equipas.

Próxima ronda

A 5.ª ronda joga-se hoje, a partir das 11:00 de Lisboa, e traz os primeiros confrontos diretos entre as equipas só com vitórias. Na secção aberta jogam-se o Hungria–Uzbequistão, o Alemanha–Estados Unidos, o Índia–Países Baixos e o China–Arménia. Na feminina, o Estados Unidos–Uzbequistão, o Índia–Polónia, o Cazaquistão–Alemanha, o Bulgária–China e o Azerbaijão–Sérvia. À noite o número de equipas com pleno terá forçosamente diminuído.

Os absolutos defrontam o Líbano (92.ª cabeça de série) na mesa 35, com pretas nos tabuleiros 1 e 3. As duas equipas têm 5 pontos de encontro. Uma vitória aproximaria Portugal dos lugares que o seu ranking faz esperar.

A seleção feminina joga com o Uruguai (94.ª cabeça de série), com brancas nos tabuleiros 1 e 3. Segundo a FPX, joga na mesa 33. As duas equipas têm 5 pontos de encontro, mas o Uruguai tem mais pontos de tabuleiro (11 contra 9,5). É um encontro equilibrado na tabela, mas no Elo Portugal é favorito.

Fontes: FPX – absolutos · FPX – femininos · Chess.com · FIDE · ChessBase (feminina) · The Chess Mind · Chess-Results, aberta R5 · Chess-Results, feminina R5


sábado, setembro 19

Olimpíadas de Xadrez 2026, 4.ª ronda: os favoritos não tropeçam e Portugal volta a vencer

Crédito: Rafal Oleksiewic/FIDE

 A quarta ronda da Olimpíada de Samarcanda foi a jornada dos favoritos. Nas mesas de cima, onde jogavam as equipas ainda sem derrotas, não houve surpresas de relevo. O grupo da frente ficou mais curto e mais nítido: oito equipas mantêm o pleno de pontos de encontro na secção absoluta e dez na feminina.

Os Estados Unidos deram o sinal mais forte do dia, com duas vitórias por 3,5-0,5: sobre a Ucrânia nos absolutos e sobre Espanha nos femininos. 


Quem perdeu terreno foram as equipas que empataram. A Roménia, que liderava depois da 3.ª ronda, cedeu um empate a França (2-2). O Azerbaijão também não passou do 2-2 frente à República Checa.

Para Portugal, foi um dia de recuperação. Depois dos dois empates da véspera, as duas seleções venceram: 3-1 a Barbados nos absolutos e 3,5-0,5 a Moçambique nos femininos.

Secção aberta


Oito equipas seguem com quatro vitórias em quatro encontros (8 pontos de encontro): China, Uzbequistão, Alemanha, Arménia, Índia, EUA, Países Baixos e Hungria. Em pontos de tabuleiro, o Uzbequistão, a Índia, a Arménia e os Países Baixos somam 13, a Alemanha e a Hungria 12,5, e a China e os EUA 12. Logo atrás, com 7 pontos, está um grupo onde se incluem França, Azerbaijão, Inglaterra e Roménia. Com oito equipas ainda perfeitas, a 5.ª ronda vai obrigá-las a defrontar-se entre si e a separar candidatos de acompanhantes.

Secção feminina


Dez equipas mantêm os 8 pontos de encontro: EUA, China, Polónia, Uzbequistão, Bulgária, Alemanha, Índia, Azerbaijão, Cazaquistão e Sérvia. As norte-americanas estão à frente no desempate. A Bulgária, que na 2.ª ronda bateu Portugal por 4-0, confirmou o bom momento com um resultado expressivo frente à Roménia.

Os momentos da ronda

Para a Chess.com, a partida do dia foi a de Levon Aronian. O GM norte-americano (2725) bateu no 4.º tabuleiro o GM ucraniano Roman Dehtiarov (2508), campeão europeu aos 18 anos, depois de ter estado em posição perdida. Fabiano Caruana e Wesley So venceram nos dois primeiros tabuleiros e o 3.º terminou empatado, pelo que os EUA fecharam o encontro por 3,5-0,5.

Na mesa 1, o Uzbequistão, anfitrião da prova, resolveu o encontro com a Turquia num único tabuleiro. Nodirbek Abdusattorov (2762) e Javokhir Sindarov (2778) empataram com Yagiz Kaan Erdogmus e Ediz Gurel. A diferença surgiu no 3.º tabuleiro, onde o GM Nodirbek Yakubboev (2685) venceu o GM Vahap Sanal (2544).

A Índia ultrapassou a Espanha sem sobressaltos. Arjun Erigaisi (2759) venceu Maksim Chigaev e D. Gukesh (2703) venceu o veterano Alexei Shirov (2603). No feminino, a IM norte-americana Alice Lee (2453) voltou a ganhar e soma 4 pontos em 4 partidas. A Chess.com já a aponta como candidata a uma medalha individual.

Portugal

Masculinos. Na mesa 50, Portugal (49.º cabeça de série) venceu Barbados (112.º) por 3-1. Luís Galego descansou e Portugal jogou com brancas nos tabuleiros 1 e 3.

A vitória confirmou o favoritismo, mas Portugal cedeu um ponto a um adversário com menos 220 pontos de Elo. A seleção soma agora 5 pontos de encontro e 10,5 de tabuleiro.

Femininos. Na mesa 46, Portugal (57.º cabeça de série) venceu Moçambique (116.º) por 3,5-0,5. Filipa Pipiras descansou e Portugal jogou com pretas nos tabuleiros 1 e 3.

O resultado nunca esteve em causa, mesmo sem a jogadora do primeiro tabuleiro. A equipa de Sérgio Rocha passa a somar 5 pontos de encontro e 9,5 de tabuleiro.

A posição exata das duas seleções na classificação geral fica por confirmar. Na 5.ª ronda, os absolutos defrontam o Líbano (mesa 35) e as femininas o Uruguai (mesa 33).

Amanhã de manhã, na crónica, voltamos a esta ronda com mais tempo e preparamos os encontros de domingo.

Fontes: Chess-Results, secção absoluta (https://chess-results.com/tnr1469895.aspx?lan=1&art=2&rd=4) e secção feminina (https://chess-results.com/tnr1469896.aspx?lan=1&art=2&rd=4); fichas de equipa de Portugal (https://chess-results.com/tnr1469895.aspx?lan=1&art=20&snr=49 e https://chess-results.com/tnr1469896.aspx?lan=1&art=20&snr=57); Chess.com (https://www.chess.com/news/view/2026-samarkand-chess-olympiad-round-4); FPX (https://fpx.pt/site/internacional/noticias).

II Open Clássicas CPC: sete rondas de xadrez clássico na NOVA FCT, em outubro

 Depois da primeira edição, o Clube Peões da Caparica volta a organizar um torneio de partidas clássicas homologado pela FIDE. No I Open Clássicas CPC, o vencedor foi o NM Luís Reis. Agora é tempo de nova edição, com mais uma novidade: vamos jogar no Campus da Caparica da NOVA FCT.

O II Open Clássicas CPC decorre de 6 a 27 de outubro de 2026, às terças e quintas-feiras, sempre às 20h00. São sete rondas pelo sistema suíço, ao ritmo de 90 minutos por jogador com incremento de 30 segundos por lance. Com um calendário noturno e espaçado, dá para jogar xadrez a sério sem sacrificar um fim de semana.

Calendário

  • 6 out. (terça): às 19h30, confirmação de inscrições e sessão de abertura; às 20h00, 1.ª ronda
  • 8 out. (quinta): 2.ª ronda
  • 13 out. (terça): 3.ª ronda
  • 15 out. (quinta): 4.ª ronda
  • 20 out. (terça): 5.ª ronda
  • 22 out. (quinta): 6.ª ronda
  • 27 out. (terça): 7.ª ronda, seguida da sessão de encerramento (prevista para as 23h30)

Local

Edifício VII da NOVA FCT, Campus da Caparica, Quinta da Torre, 2829-516 Caparica.

Quem pode jogar e como se inscrever

O torneio é aberto a jogadores federados na FPX e tem um limite de 60 participantes. Quem ainda não é federado pode pedir ao CPC a filiação na FPX, ficando as despesas de filiação por conta do jogador.

Para se inscrever, envie um e-mail para xpeoes.caparica@gmail.com com "II OCCPC" no assunto. No corpo da mensagem, indique o nome completo, a data de nascimento e o clube de cada jogador. O CPC responde com o valor a pagar. O pagamento é feito por transferência bancária e o comprovativo deve ser enviado até 2 dias depois da resposta do CPC. A inscrição só fica validada depois de confirmado o pagamento. A lista de inscritos será publicada no portal do Clube.

Quem se inscrever cedo paga menos:


Byes

Cada jogador pode pedir até 2 byes de ½ ponto nas primeiras quatro rondas. O pedido é feito à direção da prova antes do fim da ronda anterior. Para a 1.ª ronda, o pedido segue por e-mail até 48 horas antes do início. Atenção também às faltas de comparência: quem não estiver na sala 30 minutos depois da hora de início perde a partida, e três faltas de comparência implicam a exclusão da prova.

Prémios

  • Prémios monetários: 1.º 100 €, 2.º 60 €, 3.º 40 €, 4.º 20 € e 5.º 10 €
  • Troféus para os três primeiros da classificação absoluta
  • Diplomas para os melhores dos escalões sub-8 a sub-20 e das categorias feminino, veterano +50, veterano +65 e jogador do CPC

A arbitragem está a cargo de Alberto Martinho. A prova será submetida a homologação na FIDE e na FPX, contando para o Elo.

E agora?

O regulamento completo, com os critérios de desempate e todas as regras, estará disponível em breve. As classificações serão publicadas neste blogue ao longo da prova.

O Clube Peões da Caparica agradece o apoio extraordinário da NOVA FCT, que acolhe esta edição. Agradece também o apoio regular da Câmara Municipal de Almada, da Junta da União das Freguesias de Caparica e Trafaria e do Agrupamento de Escolas da Caparica.

Contamos convosco em outubro. Bons jogos!

Olimpíadas de Xadrez 2026, 3.ª ronda: o tailandês que bateu Erigaisi também bateu Viterbo Ferreira

Fonte: FPX

O MI Prin Laohawirapap (2363) foi o nome da primeira ronda em Samarcanda, ao vencer o super-GM indiano Arjun Erigaisi (2759). Na terceira ronda teve pela frente o primeiro tabuleiro português e repetiu a proeza: bateu Jorge Viterbo Ferreira (2529), 166 pontos Elo acima.

O encontro entre Portugal e a Tailândia acabou empatado, 2-2, e não graças aos primeiros tabuleiros. Foram Bruno Martins e Luís Galego, nos dois últimos, que venceram e equilibraram as contas.

A ronda no plano internacional

A terceira ronda foi a primeira a aproximar equipas de força semelhante, e os resultados refletiram-no. Na secção aberta houve duas surpresas de relevo: o Quirguistão, 79.º cabeça de série, venceu o Brasil (31.º) por 2,5-1,5, e Singapura (50.º) impôs o mesmo resultado à Noruega (21.º). O Brasil soma assim dois desaires em três rondas, depois do empate com o Botsuana na jornada inaugural.

Os Países Baixos tiveram dificuldades frente à Austrália e só resolveram o encontro na última partida, com Anish Giri a vencer Bobby Cheng num final trabalhoso. Nas restantes mesas de cima os favoritos confirmaram o favoritismo, e um grupo alargado de equipas mantém os 6 pontos de encontro possíveis, entre elas o Uzbequistão, a China, a França, a Polónia, a Espanha, a Alemanha, o Azerbaijão, a Arménia e a Roménia.

Na secção feminina a jornada foi mais agitada. A Ucrânia, 6.ª cabeça de série, perdeu por 3-1 com a Argentina (38.ª), e a França (8.ª) foi batida pelo Irão (30.º). Duas candidatas a lugares de topo perderam encontros logo na terceira ronda. A Índia venceu a Grécia por 3,5-0,5, com Koneru Humpy a bater Stavroula Tsolakidou.

Portugal (absolutos): Tailândia 2-2 Portugal

É o mesmo padrão da segunda ronda, e é o que mais preocupa: pelo terceiro encontro seguido, os pontos chegam dos últimos tableiros. Frente a Madagáscar tinham sido os dois primeiros tabuleiros a ceder e Luís Galego a vencer; aqui voltaram a perder-se as duas partidas de cima, ambas com vantagem de Elo clara para o lado português. Bruno Martins e Luís Galego, com 348 e 322 pontos de diferença a favor, cumpriram.

Portugal soma 3 pontos de encontro ao fim de três rondas.

Portugal (femininos): Trindade e Tobago 2-2 Portugal

Fonte: FPX

Na mesa 36, a seleção de Sérgio Rocha obteve o mesmo resultado. Camila Avelino descansou e Bianca Jeremias entrou no quarto tabuleiro.

Aqui o padrão é o inverso do da equipa absoluta. Filipa Pipiras respondeu no primeiro tabuleiro, com a autoridade que a diferença de quase 400 pontos Elo pedia, e Bianca Jeremias venceu na estreia. As duas derrotas surgiram nos tabuleiros intermédios, frente a adversárias com cerca de 280 e 140 pontos abaixo — são esses os meios pontos que separam um empate de uma vitória confortável.

Também aqui Portugal soma 3 pontos de encontro.

E agora?

A quarta ronda joga-se hoje, sábado. A seleção absoluta defronta Barbados, com Viterbo Ferreira, Ventura Sousa, José Francisco Veiga e Bruno Martins, e a seleção feminina joga com Moçambique, alinhando Mariana Silva, Camila Avelino, Raquel Duque e Bianca Jeremias, com Filipa Pipiras a descansar. Dois encontros em que Portugal parte como favorito e em que se espera uma vitória clara.

Fontes: FPX — Olimpíadas: Portugal empata a dobrar na 3.ª ronda · Chess.com — Round 3 · Chess-Results — secção aberta · Chess-Results — secção feminina

sexta-feira, setembro 18

Olimpíadas de Xadrez 2026, 3.ª ronda: dois empates 2-2 para Portugal e Singapura a derrubar a Noruega

 A terceira jornada em Samarcanda foi a primeira a separar de forma clara quem veio para lutar pelas medalhas de quem já tem de fazer contas. Nas duas secções há ainda pelo menos vinte equipas só com vitórias, mas pelo caminho ficaram nomes que ninguém esperava ver tropeçar tão cedo: a Noruega na secção aberta, a Ucrânia e a França na feminina.

Nas primeiras mesas, os favoritos cumpriram quase todos, embora nem sempre com folga. Os Estados Unidos, primeiros cabeças de série, passaram pela Dinamarca pela diferença mínima, e os Países Baixos precisaram de Anish Giri para não deixar fugir o encontro com a Austrália.

Para Portugal foi um dia de meio caminho: as duas seleções empataram 2-2, depois das derrotas de ontem. Não é o regresso às vitórias que se desejava, mas trava a queda.

Secção aberta


Com três vitórias em três encontros, a Roménia lidera no desempate, à frente de França e Polónia; seguem-se Uzbequistão e China. Mas nesta fase o desempate vale pouco: o pelotão com 6 pontos é extenso e inclui todos os grandes candidatos, EUA e Índia incluídos. A Inglaterra, que empatou 2-2 com a Lituânia, é das primeiras a perder terreno.

Secção feminina


EUA e Roménia dividem o comando no desempate, com Índia, Polónia, Uzbequistão, Vietname e Israel logo atrás. Ucrânia (6.ª cabeça de série) e França (8.ª) sofreram a primeira derrota e já estão a correr atrás do prejuízo.

Os momentos da ronda

A maior surpresa das mesas de cima veio de Singapura, 50.ª cabeça de série, que bateu a Noruega (21.ª) por 2½-1½. O ponto decisivo foi do GM Tin Jingyao (2584), que venceu no primeiro tabuleiro o GM Johan-Sebastian Christiansen (2656); os outros três jogos acabaram empatados. Singapura continua só com vitórias. Também o Quirguistão (79.º) derrotou o Brasil (31.º) por 2½-1½.

Nos Países Baixos, o GM Anish Giri (2757) venceu o GM Bobby Cheng (2570) num final em que, segundo a Chess.com, arrancou um ponto de onde parecia não haver nada. Fez falta: o GM Loek van Wely (2643) perdeu com o MI Rishi Sardana (2518), e só a vitória de Jorden van Foreest no segundo tabuleiro deu o 2½-1½.

Na secção feminina, a Argentina (38.ª cabeça de série) venceu convincentemente a Ucrânia. Venceram a WIM Maria José Campos (2230), a WIM Anapaola Borda Rodas (2204) e a WFM Ernestina Adam (2186), que leva 3 em 3; no primeiro tabuleiro, a WGM Candela Francisco Guecamburu (2268) empatou com a GM Anna Ushenina (2412), antiga campeã do mundo. 

Portugal


Na mesa 28, a nossa equipa empatou com a Tailândia. As vitórias vieram dos tabuleiros de baixo, com Bruno Martins e Luís Galego, que segue com 3 em 3. No primeiro tabuleiro, o MI Prin Laohawirapap, o mesmo que derrotou Arjun Erigaisi na primeira ronda, bateu Jorge Viterbo Ferreira e também leva 3 em 3. Portugal soma 3 pontos, em 99.º provisório.


As femininas, na mesa 36, também ficaram pelo 2-2, frente a uma equipa com média de 1808. Filipa Pipiras ganhou no primeiro tabuleiro e Bianca Jeremias estreou-se com uma vitória, mas as derrotas de Mariana Silva e Raquel Duque, ambas contra adversárias com menos Elo, custaram a vitória. Portugal tem 3 pontos, em 94.º provisório.

Foto: FPX

Amanhã de manhã, na crónica, voltamos a esta ronda com mais calma e com a imprensa da noite.

Fontes: Chess-Results, secção aberta (https://chess-results.com/tnr1469895.aspx?lan=1) e feminina (https://chess-results.com/tnr1469896.aspx?lan=1); Chess.com (https://www.chess.com/news/view/2026-samarkand-chess-olympiad-round-3); FPX (https://www.fpx.pt/); Lichess, transmissão da ronda (https://lichess.org/broadcast/46th-fide-chess-olympiad-samarkand-2026-open-matches-1-12/round-3/bmI956uk)