Falta uma ronda no II Open Clássicas Clube Peões da Caparica, e a pergunta que se ouve na sala é sempre a mesma: quem ainda pode ganhar? Fizemos as contas. A resposta curta é que o título está reduzido a dois nomes, Miguel Rocha e Pedro Apolónia, e decide-se num único tabuleiro, a Mesa 1. Já o segundo e o terceiro lugares podem ficar dependentes dos critérios de desempate e de resultados em mesas onde os candidatos nem sequer estão sentados. A sétima ronda joga-se na terça-feira, 27 de outubro, às 20h00, no Edifício VII da NOVA FCT.
Quem pode ganhar o II Open
Rocha (Cx Setúbal, 2102 de Elo) lidera com 5,5 pontos e Apolónia (FC Barreirense, 1897) segue com 5. Logo atrás, Reinaldo Silva e Rúben Santos têm 4,5 e defrontam-se entre si; o vencedor desse jogo chega, no máximo, aos 5,5. Ninguém mais pode passar dos 5.
Na Mesa 1, Apolónia joga com as brancas contra Rocha. Há três desfechos possíveis:
- Rocha ganha: acaba com 6,5 pontos e ganha o torneio.
- Empate: Rocha fica com 6, Apolónia com 5,5, e nenhum outro jogador pode chegar aos 6. Rocha vence o II Open.
- Apolónia ganha: fica com 6, contra 5,5 de Rocha, e nenhum outro jogador o alcança. Apolónia é o vencedor.
Ou seja, a Rocha basta o empate; Apolónia tem de ganhar. Os desempates não entram nesta conta, porque em nenhum cenário o primeiro lugar fica partilhado. O que se passar nas restantes mesas não mexe no nome do vencedor.
Como se desempata
O regulamento manda desempatar, por esta ordem: pelo resultado entre os jogadores empatados (se se tiverem defrontado), pelo Buchholz corrigido (soma dos pontos dos adversários, sem o valor mais baixo), pelo Buchholz completo e, depois, pelo Sonneborn-Berger e outros critérios. Na prática, o Buchholz premeia quem teve adversários mais fortes e, por isso, os pontos que os antigos adversários de cada candidato fizerem na última ronda também contam.
Há um pormenor que pesa neste torneio, com tantos byes e faltas de comparência: o Chess-Results aplica as regras da FIDE em vigor desde março de 2026 para as rondas não jogadas. Para confirmar que fazíamos as contas da mesma maneira, recalculámos o Buchholz de todos os 24 jogadores após a sexta ronda e os valores coincidem com os publicados.
A luta pelo pódio
Os três primeiros recebem troféus, e os prémios monetários vão de 100 euros para o vencedor, a 60 e 40 euros para o segundo e o terceiro, respetivamente. Para o pódio, interessam sobretudo as duas primeiras mesas.
Cenário 1: se Apolónia ganhar a Rocha
Apolónia é campeão e Rocha fica em segundo lugar. Mesmo que o vencedor da Mesa 2 chegue também aos 5,5, Rocha fica à frente porque ganhou a Silva e a Rúben Santos durante a prova.
O terceiro lugar é de quem ganhar a Mesa 2. Se Silva e Santos empatarem, ficam ambos com 5 pontos e o encontro direto não os separa. Decide o Buchholz, e aí Rúben Santos parte em vantagem:
- Se Leon Li vencer Luís Reis (Mesa 3), o terceiro lugar é de Rúben Santos.
- Se Li e Reis empatarem, é de Rúben Santos, a não ser que Miguel Domingues vença Mauro Monteiro (Mesa 8) e Mário Figueiredo vença Pedro Correia (Mesa 9). Só com essas duas vitórias Silva lhe passa à frente.
- Se Reis vencer Li, Silva fica em terceiro se Domingues e Figueiredo somarem, entre os dois, pelo menos 1,5 pontos, ou se um deles ganhar, o outro perder e Martim Pinheiro vencer Gustavo Francisco (Mesa 10). Nos restantes casos, o terceiro lugar é de Rúben Santos.
Cenário 2: se a Mesa 1 terminar empatada
Rocha é campeão com 6 pontos e Apolónia soma 5,5. O que acontece a seguir depende da Mesa 2:
- Silva e Santos empatam: Apolónia é segundo, isolado. O terceiro lugar decide-se entre Silva e Santos, exatamente com as mesmas regras descritas acima.
- Silva ganha: Apolónia e Silva ficam ambos com 5,5. Não jogaram um com o outro, por isso decide o Buchholz, e Apolónia leva vantagem. Silva só lhe pode passar à frente se Edivaldo Gama, Luís Reis e Arthur Vlug, três dos adversários de Apolónia, somarem no máximo um ponto entre os três na última ronda. Mesmo assim, é preciso que os adversários de Silva (Domingues, Figueiredo e Pinheiro) pontuem bem. Quem não ficar em segundo, fica em terceiro.
- Rúben Santos ganha: Apolónia e Santos ficam com 5,5 e também não se defrontaram. Aqui a Mesa 3 é decisiva:
- Se Reis vencer Li, Apolónia é segundo.
- Se Li e Reis empatarem, Apolónia é segundo, a menos que Gama (contra Ricardo Chorão, Mesa 5) e Vlug (contra Vítor Morais, Mesa 4) façam, juntos, meio ponto ou menos. Se os dois perderem, o segundo lugar é de Santos. Se fizerem exatamente meio ponto, Apolónia só fica à frente se Figueiredo vencer Correia e a Mesa 6 (André Pereira–Riccardo Ciuffreda) tiver vencedor; caso contrário, segue para Santos, salvo uma exceção indicada abaixo.
- Se Li vencer Reis, o segundo lugar é de Santos, a não ser que Gama e Vlug ganhem os dois (Apolónia passa à frente) ou somem 1,5 pontos (aplica-se então a mesma condição de Figueiredo e da Mesa 6).
Cenário 3: se Rocha ganhar a Apolónia
Rocha é campeão com 6,5 pontos e Apolónia fica com 5.
- Silva ganha: Silva é segundo, com 5,5, e Apolónia é terceiro. Mesmo que Li e Morais ganhem e cheguem também aos 5 pontos, Apolónia fica à frente nos desempates.
- Rúben Santos ganha: Santos é segundo. O terceiro lugar é quase sempre de Apolónia. Leon Li só lho pode tirar se vencer Reis e se Gama e Vlug fizerem, juntos, no máximo meio ponto; e, mesmo nesse caso, depende de outras mesas.
- Silva e Santos empatam: é o cenário mais aberto. Apolónia, Santos e Silva acabam todos com 5 pontos, e ainda podem juntar-se-lhes Li e Morais, se ganharem. Ninguém se defrontou com todos os outros, por isso decide o Buchholz. Algumas pistas:
- Se Li vencer Reis, Santos é segundo, exceto se Vlug e Gama ganharem os dois.
- Se Reis vencer Li, Apolónia é segundo, desde que Vlug e Gama somem pelo menos um ponto.
- Silva só pode chegar ao segundo lugar se Li não ganhar a Reis.
- Li só se mete no pódio numa combinação concreta: vencer Reis, com Vlug a perder com Morais e Gama a perder com Chorão. E, mesmo aí, depende de outras mesas.
Os prémios monetários
Do quarto e do quinto lugar (20 e 10 euros), não vale a pena fazer a lista completa: há demasiadas combinações. O que dá para dizer com segurança é quem ainda pode lá chegar. Rocha e Apolónia ficam no top 5 aconteça o que acontecer. Rúben Santos e Silva garantem-no se não perderem. Leon Li e Vítor Morais precisam, pelo menos, de empatar, e nem isso lhes chega sempre. Edivaldo Gama, Arthur Vlug e Luís Reis têm de ganhar, e mesmo uma vitória pode não ser suficiente. Para os restantes jogadores, o top 5 já não está ao alcance.
Os Peões da Caparica em prova
Arthur Vlug é o único jogador do Clube que ainda pode chegar aos prémios monetários. Para isso, tem de vencer Vítor Morais com as pretas na Mesa 4 e esperar por ajuda noutras mesas.
Há ainda o diploma para o melhor jogador do CPC, e aí as contas são simples. Vlug tem 3,5 pontos e Luís Filipe 3. Mauro Monteiro e Pedro Santos ainda podem chegar aos 3,5, mas, em todas as combinações que calculámos, ficam atrás de Vlug no desempate. Se Vlug e Filipe acabarem com os mesmos pontos, conta o encontro direto, e Vlug ganhou a Filipe na quarta ronda. Assim, o diploma só escapa a Vlug se ele perder com Morais e Filipe ganhar com as pretas a Pedro Santos, no dérbi caseiro da Mesa 7.
Antes de terça-feira
As contas acima partem do princípio de que todas as partidas se jogam. Uma falta de comparência mexe com o Buchholz e pode alterar algumas destas conclusões, embora não o nome do vencedor.
Bons jogos!
Fontes: Chess-Results: emparceiramento da ronda 7 · Chess-Results: classificação após a ronda 6 · Chess-Results: tabela cruzada após a ronda 6 · Blogue do CPC: regulamento do II Open · FIDE: regulamento de desempates em vigor desde 1 de março de 2026
NOTA: post feito com recurso à IA.


























