sexta-feira, maio 6

E porque hoje é sexta...


7.ª jornada do I Torneio Interno CPC "Tática às Quartas"

A 7.ª ronda do torneio interno foi a mais espetacular até ao momento, quer pelo espírito competitivo dos jogadores intervenientes, quer pelo novo recorde estabelecido pelo nosso mais novo jogador, o Miguel Martinho (25 pontos!).
Os resultados foram os seguintes:

Com o aproximar do final do torneio, a classificação encontra-se ordenada da seguinte forma:


Na próxima quarta-feira, pelas 21h00, irá realizar-se a 8.ª e antepenúltima ronda, podendo desde já prever-se um final muito disputado.

quinta-feira, maio 5

E se as Peças do Xadrez fossem capazes de sentir e de sofrer?

Ilustração do livro "História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas e A Guerra do Tabuleiro de Xadrez " de Manuel António Pina, Porto Editora 2016| Crédito http://www.portoeditora.pt/produtos/ficha/?id=15725805
A guerra do tabuleiro de xadrez
Era uma vez um Tabuleiro de Xadrez.
E dois Meninos também eram uma vez.

Estiveram todo o dia a brincar os dois
com Reis, Rainhas, Bispos e Peões.
Sentados frente a frente, diante do Tabuleiro,
cada um comandava um exército inteiro
de Peças de madeira lutando ferozmente
como se, em vez de Peças, fossem gente.

Todo o dia jogaram o fero jogo
pondo Peças e Tabuleiro a ferro e fogo.
Até que se fizeram horas de deitar
e se foram os dois deitar sem acabar
a Guerra de brincar que começaram.

Mas as Peças sozinhas continuaram,
às escuras, no quarto, a guerrear,
a pelejar, a batalhar, a combater,
lutando umas com as outras sem saber
que os Generais já estavam a sonhar…

Uma Guerra confusa começou então
a travar-se no meio da escuridão.
Alguns Peões brigavam, outros conversavam,
um Bispo aprisionou um Cavaleiro
e jogavam os dois as cartas e lanchavam
sentados a um canto do Tabuleiro.
Outro Cavaleiro, quando o obrigaram
a montar, caíra do cavalo
e como tinha fugido e o apanharam
deram-no como desertor e iam fuzilá-lo.

Com os Generais pegados num sono profundo
o Conflito alastrou pelo resto do Mundo,
e entraram na peleja bonecos e ursinhos,
soldados de chumbo, bolas, cavalinhos…

A Rainha fazia o que lhe apetecia,
um Sempre-Em-Pé, deitado, fingia de morto,
o Rei andava de um lado para o outro
a dar ordens que ninguém cumpria…

E se as Peças do Xadrez tivessem querer,
se fossem capazes de sentir e de sofrer,
se tivessem coração à sua maneira,
uma vontade de tinta, uma alma de madeira?

Se o Rei reinasse, se a rainha rainhasse,
se o Bispo intrigasse e rezasse?
Pode muito bem assim suceder
sem elas saberem nem ninguém saber.

E o jogo do Xadrez ser uma vida
de uma maneira de madeira vivida
por gente para quem o Mundo inteiro
são as Casas pretas e brancas do Tabuleiro…

Manuel António Pina (1943-2012)
História com reis, rainhas, bobos, bombeiros e galinhas e A guerra do tabuleiro de xadrez, 1984
Crédito https://pt.scribd.com/doc/296509589/Provas-Modelo-LP6

quarta-feira, maio 4

Xadrez em Vila Nova de Caparica: O início

O 25 de Abril de 1974 representou um novo alvorecer para o associativismo. Em Vila Nova de Caparica diversos membros da comunidades, de todas as idades, juntaram-se para voltar a reerguer a antiga Sociedade de Educação e Recreio, que se diz ter sido fundada a 1 de Janeiro de 1914.

Chegou-nos às mãos, recentemente, um documento que indica que a direcção desta colectividade,  após o 25 de Abril, decidiu, logo na sua 3ª reunião, criar uma Secção de Xadrez, sob responsabilidade de Hélder Raposo.

Num misto de espírito revolucionário e republicano a Direção daquela associação fez circular entre os sócios uma missiva dactilografada onde se emanava o propósito da dita secção, o qual se reproduz parcialmente abaixo.
 

" Não pretendemos "fabricar" campeões, mas de acordo com o nosso programa, procuramos facultar a todos a possibilidade de praticar um desporto que consideramos o mais indicado para o desenvolvimento das qualidades de observação, domínio de reacção e atitudes, e desenvolvimento da inteligência. Portanto, um precioso elemento educativo, uma verdadeira escola de reflexão e disciplina mental, que nas camadas mais novas complementará a instrução adquirida nas escolas " 

Creio que no CPC se continua a comungar destes princípios progressistas..

Foi assim o início do xadrez na Sociedade de Educação e Recreio que foi filiada na Federação Portuguesa de Xadrez com o nº 6917.

Outros clubes de Almada registados na FPX: Clube Recreativo do Feijó nº FPX 6902; Clube Recreativo Piedense nº FPX 6905; Academia Almadense nº FPX 6906; Grupo Desportivo e Cultural de Almada nº FPX 6923; Clube Recreativo Piedense Nº FPX 6963; Beira Mar de Almada nº FPX 6964; Ginásio Clube do Sul nº FPX 6971; Grupo de Xadrez de Almada nº FPX 6974; e Clube Peões da Caparica, registado em 2009, nº FPX 7001.

terça-feira, maio 3

Espuma dos Dias num poema histórico de Fernando Pessoa

2 árabes a jogar xadrez| Créditos http://ab.fanrus.com/SMI/Pridira/january/11/32/
Os Jogadores de Xadrez

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na Cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.

À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário.
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Trespassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas...
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo de xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao refletir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?
Quando a torre não cobre
A retirada da rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.

Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
 (É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predileto
Dos grandes indiferentes.

Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida.
Os haveres tranquilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranquila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem querer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença.

Ricardo Reis 01-06-1916
(Heterónimo de Fernando Pessoa)

domingo, maio 1

Torneio da Cruz de Pau Jogos Seixal 2016



Disputou-se ontem mais um torneio de xadrez (semi-rápido) integrado no Circuito de Jogos do Seixal, no qual participaram 8 jogadores dos Peões da Caparica, incluindo as jovens esperanças Tiago Machado, Rui Martins, Clara Dias e Poli Costa.

Após 6 rondas, os nossos jogadores ficaram classificados da seguinte forma:
3.º lugar: Américo Costa (4,5 pontos)
4.º lugar: António Dias (4,5 pontos)
6.º lugar: André Pereira (4 pontos)
10.º lugar: Fernando Amaral (4 pontos)
14.º lugar: Tiago Machado (3,5 pontos)
20.º lugar: Rui Martins (3 pontos)
24. lugar: Clara Dias (3 pontos)
25.º lugar: Poli Costa (2,5 pontos)

Os "júniores" do Clube tiveram uma participação muito interessante, tendo o Tiago Machado, 23.º do ranking inicial, alcançado um honroso 14.º lugar.

Os resultados gerais podem ser consultados aqui.

quinta-feira, abril 28

6.ª jornada do I Torneio Interno CPC "Tática às Quartas"

E após 6 rondas decorridas, temos um novo vencedor nesta jornada: Jorge Gomes, que ficou a 1 ponto do recorde estabelecido na jornada anterior por José Borges.
De realçar mais uma vez a boa prestação do "júnior" da equipa, Miguel Martinho, com 14 pontos feitos nesta jornada.
Os resultados foram os seguintes:


A classificação geral encontra-se ordenada da seguinte forma: